Barão de Itararé: O jornalista que usou humor para criticar presidentes brasileiros

Conheça o Barão de Itararé, jornalista que enfrentou tirania com humor e crítica social no Brasil.
17/10/2025 às 19:27 | Atualizado há 10 meses
Barão de Itararé: O jornalista que usou humor para criticar presidentes brasileiros

Aqui está o artigo sobre o Barão de Itararé, no formato HTML solicitado:

Conhecido por sua irreverência e humor afiado, o Barão de Itararé, pseudônimo de Apparício Torelly, desafiou figuras políticas e expôs as contradições da sociedade brasileira. Jornalista, cronista e agitador cultural, sua trajetória singular é tema de um novo documentário, reacendendo o interesse por sua vida e obra.

Quem foi Apparício Torelly antes de se tornar o Barão de Itararé?

Fernando Apparício de Brinkerhoff Torelly nasceu em 1895, no Rio Grande (RS). Sua infância foi marcada pela tragédia: sua mãe, de origem uruguaia, cometeu suicídio quando ele tinha apenas dois anos. Criado em colégios jesuítas, desde cedo mostrou um espírito crítico e debochado.

Ainda no colégio, criou o Capim Seco, um jornal manuscrito de humor que circulava entre os estudantes. Mais tarde, ingressou na Escola de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, mas não concluiu o curso, dedicando-se ao jornalismo e à literatura. Em 1916, publicou seu primeiro livro de poesia, Pontas de Cigarro, e, em 1918, lançou seu primeiro jornal, O Chico.

Como surgiu o pseudônimo “Barão de Itararé”?

O pseudônimo surgiu de forma irônica durante a Revolução de 1930. As tropas do governo e as forças revolucionárias de Getúlio Vargas se preparavam para um confronto em Itararé, no Paraná, que foi anunciado como a batalha mais sangrenta da América do Sul. No entanto, antes do primeiro tiro, o presidente Washington Luís foi deposto.

Apparício, então, autoproclamou-se “Barão de Itararé“, nobre de uma batalha que nunca ocorreu. A escolha do nome refletia sua visão crítica da realidade brasileira, marcada por promessas não cumpridas e solenidades vazias.

Qual era o estilo de jornalismo praticado pelo Barão de Itararé?

O Barão de Itararé utilizava o humor como ferramenta de crítica social e política. Suas crônicas e artigos eram marcados pela ironia, sátira e trocadilhos, expondo as contradições e o autoritarismo da sociedade brasileira. Ele fundou o jornal A Manha, em 1926, que se propunha a “morder o calcanhar das autoridades” com manchetes inventadas e notícias absurdas.

Suas frases ácidas e irreverentes tornaram-se célebres, como “De onde menos se espera, daí é que não sai nada” e “Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato”. O Barão de Itararé parodiava frases e lemas conhecidos, como o lema integralista “Deus, Pátria e Família”, que transformou em “Adeus, Pátria e Família!”.

Como o Barão de Itararé enfrentou a ditadura de Getúlio Vargas?

O Barão de Itararé não poupou críticas ao governo de Getúlio Vargas, o que o colocou na mira da ditadura. Em 1934, foi sequestrado e espancado por oficiais da Marinha após publicar um folhetim sobre a Revolta da Chibata. Em 1935, filiou-se à Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento de esquerda que foi logo proibido por Vargas, e foi preso.

Mesmo na prisão, o Barão de Itararé manteve seu espírito irreverente, transformando o sofrimento em piada. Dividiu cela com Graciliano Ramos, que relatou a convivência em “Memórias do Cárcere”, descrevendo-o como um prisioneiro que fazia os outros rirem, mesmo nos piores momentos.

Qual o legado do Barão de Itararé para o jornalismo e a cultura brasileira?

O legado do Barão de Itararé ultrapassa o jornalismo, influenciando gerações de humoristas e cronistas. Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, o considerava um mestre. Millôr Fernandes, Ziraldo e os criadores do Pasquim o reconheciam como inspiração. Sua capacidade de usar o humor como ferramenta de crítica social e política permanece relevante nos dias de hoje.

Para Jairo Faria Mendes, autor de “Barão de Itararé: O riso é resistência”, o Barão de Itararé “não inventou o jornalismo humorístico, mas lhe deu profundidade e impacto nacional”. O documentário “O Brasil que não houve: as aventuras do Barão de Itararé no reino de Getúlio Vargas” busca resgatar a importância desse personagem singular da história brasileira.

Perguntas Frequentes sobre Barão de Itararé

Quem foi o Barão de Itararé?

O Barão de Itararé foi o pseudônimo do jornalista e humorista Apparício Torelly, conhecido por sua irreverência e críticas à política brasileira. Ele utilizava o humor como ferramenta para expor as contradições e o autoritarismo da sociedade.

Como o Barão de Itararé enfrentou a ditadura de Getúlio Vargas?

O Barão de Itararé enfrentou a ditadura de Getúlio Vargas por meio de suas críticas e sátiras, publicadas em seu jornal A Manha. Ele chegou a ser preso e torturado por suas posições políticas, mas nunca perdeu seu espírito irreverente.

Qual o legado do Barão de Itararé para o jornalismo brasileiro?

O legado do Barão de Itararé é a utilização do humor como forma de crítica social e política. Ele influenciou gerações de jornalistas e humoristas, que seguiram seu estilo de expor as mazelas da sociedade de forma irreverente e inteligente.

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Via Superinteressante

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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