A COP 30, evento climático de grande importância global, encerrou suas negociações com um resultado que gerou frustração entre ambientalistas e defensores de ações mais ambiciosas contra o aquecimento global. A conferência, realizada em Belém, no coração da Amazônia, não conseguiu estabelecer um roteiro claro para o abandono dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural.
Por que a ausência do roteiro para o fim dos combustíveis fósseis é um problema?
A criação de um plano detalhado para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis era uma das expectativas centrais da COP 30. Esses combustíveis são os principais contribuintes para as emissões de gases de efeito estufa, impulsionando o aquecimento global e suas consequências devastadoras.
A falta de um roteiro estabelecido dificulta o planejamento e a implementação de políticas eficazes para a transição energética, essencial para limitar o aumento da temperatura média global a níveis seguros.
Quais países bloquearam a inclusão do roteiro no acordo final?
A proposta de criar um mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis recebeu apoio de cerca de 80 países, incluindo o Brasil, cujo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a medida. O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, também se manifestou a favor.
No entanto, a inclusão do tema no documento final foi bloqueada, principalmente, por países árabes, liderados pela Arábia Saudita, e pela Rússia. Estes países são grandes produtores de petróleo e têm interesses econômicos atrelados à continuidade do uso de combustíveis fósseis.
Qual a avaliação do Greenpeace sobre o resultado da COP 30?
O Greenpeace criticou a “Decisão Mutirão”, documento final da COP 30, afirmando que ela não responde à urgência da crise climática. Segundo a organização, o texto não apresenta um plano para a transição para longe dos combustíveis fósseis, para o fim do desmatamento até 2030, nem garante que os recursos necessários para adaptação sejam mobilizados pelos países desenvolvidos.
Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil, expressou a decepção da organização com a falta de ambição do acordo.
Houve algum avanço em relação ao combate ao desmatamento?
O texto final da COP 30 menciona o combate ao desmatamento, mas não define um roteiro para isso, que era uma demanda de cerca de 90 países. Havia uma expectativa de que a realização da COP na Amazônia pudesse influenciar decisões significativas sobre o tema.
O documento reconhece que a Cúpula da ONU para Mudanças Climáticas está no “coração da Amazônia”, mas se limita a falar sobre esforços ampliados para reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. É importante lembrar que o CEO da Bayer Brasil destaca a necessidade de medição de carbono adaptada ao clima tropical.
Quais foram os avanços em relação ao financiamento para adaptação?
Um dos avanços da COP 30 foi a citação para que os países se esforcem para ao menos triplicar os recursos para adaptação até 2035. Essa era uma demanda dos países em desenvolvimento, que têm sofrido com eventos climáticos extremos.
No entanto, alguns analistas criticaram a versão final do texto por considerá-la branda e por postergar para 2035 o prazo para o financiamento, enquanto a demanda era para que esse dinheiro chegasse até 2030. Além disso, houve a definição de indicadores para medir a adaptação dos países à mudança do clima, com parâmetros relacionados à saúde, saneamento, acesso à água e treinamento.
Qual o resultado das discussões sobre financiamento climático?
Sobre financiamento climático, os países decidiram criar um grupo de trabalho de dois anos para discutir o assunto. A redução do prazo, que chegou a ser cogitado em três anos, foi vista como positiva.
Por outro lado, o texto amplia o âmbito da discussão, abrindo espaço para que ela não seja restrita a financiamento público e inclua recursos privados, o que é questionado pelos países mais pobres. O documento também não aumenta a ambição do volume de recursos que os países ricos precisam repassar para os países em desenvolvimento, mantendo a meta de mobilizar pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035.
Qual foi a importância do reconhecimento dos povos indígenas na COP 30?
Uma das grandes vitórias da COP 30 foi o reconhecimento do papel dos povos indígenas para a mitigação climática. O texto afirma que os países devem adotar medidas para enfrentar as mudanças do clima “respeitando os direitos dos povos indígenas – incluindo seus direitos territoriais e conhecimentos tradicionais”.
Fernanda Bortolotto, da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, destacou a importância desse reconhecimento, afirmando que a COP 30 foi uma “super vitória” para os povos indígenas, que conseguiram destacar seus direitos territoriais como política para mitigação.
Perguntas Frequentes sobre COP 30
Por que a ausência de um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis é considerada um retrocesso?
A falta de um plano claro dificulta a transição energética, essencial para limitar o aquecimento global, já que os combustíveis fósseis são os maiores contribuintes para as emissões de gases de efeito estufa.
Quais foram os principais pontos positivos da COP 30?
O reconhecimento do papel dos povos indígenas na mitigação climática e o avanço nas discussões sobre financiamento para adaptação, com a meta de triplicar os recursos até 2035, foram considerados avanços importantes.
O que o Greenpeace achou dos resultados da COP 30?
O Greenpeace criticou a “Decisão Mutirão”, afirmando que ela não responde à urgência da crise climática, não apresenta um plano para a transição para longe dos combustíveis fósseis e não garante os recursos necessários para adaptação.
Via InfoMoney
