Descoberta inédita: fóssil de 110 milhões de anos revela nova espécie de pterossauro no Brasil

Fóssil fossilizado de 110 milhões de anos revela pterossauro filtrador no Brasil. Conheça essa descoberta inédita e seu impacto na paleontologia.
16/11/2025 às 19:36 | Atualizado há 9 meses
Descoberta inédita: fóssil de 110 milhões de anos revela nova espécie de pterossauro no Brasil

Um achado surpreendente no Brasil revelou uma nova espécie de pterossauro no Brasil, batizada de Bakiribu waridza. A descoberta ocorreu a partir de um bloco de rocha de 110 milhões de anos, que se revelou ser um vômito fossilizado de um dinossauro. Este evento raro preservou os restos de dois pterossauros, oferecendo aos cientistas uma janela única para o passado pré-histórico do país.

Como um vômito fossilizado revelou uma nova espécie de pterossauro?

Há mais de 110 milhões de anos, um dinossauro se alimentou de dois pequenos pterossauros. Incapaz de digerir completamente sua refeição, o predador regurgitou parte do conteúdo estomacal. Essa massa expelida, composta por ossos e muco, foi rapidamente coberta por sedimentos em uma laguna.

Com o tempo, esse material endureceu, transformando-se em um fóssil incomum. A descoberta desse “vômito” fossilizado, conhecido tecnicamente como regurgitalito, é um evento raro devido às condições específicas necessárias para sua preservação.

Onde ocorreu essa descoberta paleontológica?

A cena se desenrolou na Bacia do Araripe, uma região que abrange áreas do Ceará, Pernambuco e Piauí. Essa localidade é famosa por sua capacidade de preservar fósseis em detalhes impressionantes. As águas salobras e a sedimentação contínua criaram um ambiente ideal para a conservação de restos de animais e plantas do período Cretáceo.

Nos anos 1980, o bloco de rocha contendo o vômito foi resgatado e levado ao Museu Câmara Cascudo, em Natal (RN). Sem informações detalhadas sobre sua origem, o fóssil permaneceu esquecido por décadas, aguardando uma redescoberta que mudaria a história da paleontologia brasileira.

Quem redescobriu o fóssil e como identificou a nova espécie?

William Bruno de Souza Almeida, aluno de biologia da paleontóloga Aline Ghilardi na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi o responsável pela redescoberta. Durante uma revisão do acervo do museu, ele notou que os ossos presentes no bloco não pertenciam a peixes, como se acreditava inicialmente.

Aline Ghilardi, ao examinar o material, lembrou-se de um estudo sobre os dentes filtradores do Pterodaustro, um pterossauro argentino. A semelhança entre os dentes do fóssil e os do estudo argentino foi crucial para a identificação da nova espécie.

O que torna o Bakiribu waridza tão especial?

A análise detalhada do bloco revelou que ele continha restos de dois pterossauros de uma espécie até então desconhecida, batizada de Bakiribu waridza. O nome é uma homenagem ao povo Kariri, da Chapada do Araripe, e significa “pente na boca”, em referência à sua dentição peculiar.

O Bakiribu possuía mandíbulas longas com centenas de dentes finos, que funcionavam como um filtro para capturar pequenos organismos na água, de forma semelhante aos flamingos modernos. Estima-se que o crânio do Bakiribu medisse entre 17 e 25 centímetros, e sua envergadura chegasse a um metro, aproximadamente o tamanho de uma gaivota.

Qual a importância da descoberta para a paleontologia?

A descoberta do Bakiribu waridza preenche uma lacuna no conhecimento sobre a evolução dos pterossauros. Essa espécie combina características de pterossauros europeus e sul-americanos, sugerindo um elo evolutivo entre os dois continentes, que estavam mais próximos durante o período Cretáceo. Além disso, é o primeiro registro de um pterossauro filtrador nos trópicos.

A preservação do vômito fossilizado também é notável. A calmaria das águas da laguna e o rápido soterramento por lama rica em carbonatos foram essenciais para que a estrutura não se desfizesse, permitindo a descoberta e o estudo da nova espécie de pterossauro no Brasil.

Para onde irá o fóssil e quais os próximos passos da pesquisa?

O fóssil será dividido entre o Museu Câmara Cascudo e o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no Ceará, garantindo que ele permaneça na região onde foi encontrado. As próximas etapas incluem tomografias de alta resolução e análises químicas dos dentes do Bakiribu, que poderão fornecer informações mais precisas sobre sua dieta e estilo de vida.

A descoberta dessa nova espécie de pterossauro no Brasil não apenas enriquece o patrimônio paleontológico do país, mas também oferece novas perspectivas sobre a história da vida na Terra. Além disso, essa descoberta paleontológica reforça a importância da preservação de áreas fossilíferas e da pesquisa científica para a compreensão do nosso passado.

Perguntas Frequentes sobre Espécie de Pterossauro no Brasil

O que é um regurgitalito?

Regurgitalito é o termo técnico para vômitos fossilizados. A preservação desse tipo de fóssil é rara e depende de condições específicas, como a presença de muco para manter a massa unida e o rápido soterramento em um ambiente calmo.

Por que a Bacia do Araripe é importante para a paleontologia?

A Bacia do Araripe é conhecida pela preservação excepcional de fósseis devido às suas águas salobras e ao acúmulo constante de sedimentos, criando um ambiente perfeito para registrar detalhes da vida no período Cretáceo.

Via Super

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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