Estátuas da Ilha de Páscoa podem ter sido transportadas em pé com movimento em zigue-zague

Novo estudo sugere que as estátuas da Ilha de Páscoa foram transportadas em pé com movimento em zigue-zague, desafiando teorias anteriores.
27/11/2025 às 21:03 | Atualizado há 8 meses
Estátuas da Ilha de Páscoa podem ter sido transportadas em pé com movimento em zigue-zague

As estátuas da Ilha de Páscoa, conhecidas como moai, continuam a intrigar o mundo sobre como foram transportadas. Um novo estudo sugere que essas estruturas de pedra, algumas pesando várias toneladas, podem ter sido movidas em pé, utilizando um movimento de balanço. Mas será que essa teoria se sustenta frente às outras já propostas?

Como as estátuas da Ilha de Páscoa foram esculpidas?

Entre os anos 1200 e 1700 d.C., os habitantes da Ilha de Páscoa esculpiram os moai a partir de cinzas vulcânicas compactadas. A pedreira ficava dentro da cratera do vulcão Rano Raraku. Após a criação, as estátuas eram transportadas por até 18 km em terrenos irregulares. Algumas dessas esculturas atingiam 10 metros de altura e pesavam até 86 toneladas.

Ao todo, a ilha abriga cerca de 950 estátuas. A maioria delas está posicionada de costas para o oceano, como se estivessem vigiando as aldeias. Sete moai estão voltados para o lado oeste do vulcão Terevaka, encarando o pôr do sol durante os equinócios. Acredita-se que esse local servia como um observatório astronômico.

Qual a nova teoria sobre o transporte dos moai?

Um estudo recente, publicado no Journal of Archaeological Science, propõe uma nova técnica de transporte. Carl Lipo, da Universidade de Binghamton, e Terry Hunt, da Universidade do Arizona, sugerem que as estátuas foram movidas em pé, através de um movimento de balanço.

Em 2011, Lipo e Hunt já haviam publicado o livro “The Statues That Walked: Unraveling the Mystery of Easter Island”. Nele, os autores propõem que os moai foram transportados “caminhando”. Para testar essa hipótese, uma equipe de 18 pessoas moveu uma réplica de concreto de 4,35 toneladas por 100 metros em 40 minutos, utilizando cordas presas à cabeça da escultura.

Essa é a primeira vez que se pensa nessa hipótese?

Não. Em 1986, o arqueólogo tcheco Pavel Pavel e o etnógrafo norueguês Thor Heyerdahl já haviam proposto o conceito de mover os moai “fazendo-os andar”. Apesar do interesse despertado pela fama de Heyerdahl e a expertise de Pavel, a ideia foi recebida com ceticismo. Críticos apontavam que o método poderia danificar as bases das estátuas, não funcionaria em terrenos irregulares e envolvia um modelo que não representava todos os tamanhos de moai.

Apesar das críticas, a fama de Heyerdahl como explorador e a expertise em engenharia de Pavel despertaram interesse público e acadêmico pelo tema.

Como a nova pesquisa detalha essa teoria?

Lipo, Hunt e seus colegas criaram modelos 3D para entender como diferentes formas e proporções influenciam o transporte. O estudo identificou que as estátuas encontradas ao longo de antigos caminhos de transporte possuíam bases largas em forma de “D” e posturas inclinadas para frente. Essas características seriam ideais para o movimento vertical em zigue-zague.

Os pesquisadores sugerem que fraturas laterais encontradas nas estátuas podem ser resultado de quedas durante o transporte. Eles também acreditam que o design dos caminhos ajudava a manter as esculturas no curso certo.

As estradas eram feitas para os moai?

Segundo Lipo, o movimento constante das estátuas ao longo do tempo desgastou e contornou os caminhos. Para ele, sempre que os habitantes da Ilha de Páscoa moviam uma estátua, eles construíam uma estrada como parte do processo.

No artigo, os pesquisadores apresentam seu trabalho como “uma reivindicação da arqueologia experimental e um estudo de caso da resistência científica à mudança de paradigma.” Mas nem todos concordam com essa visão.

Quais as críticas a essa teoria?

Nicolas Cauwe, curador de coleções pré-históricas e oceânicas dos Museus Reais de Arte e História em Bruxelas, acredita que Lipo e Hunt interpretaram as evidências de forma errônea. Segundo ele, cerca de metade das estátuas encontradas ao longo dos caminhos estão intactas. Mesmo as que estão quebradas possuem fragmentos próximos, o que sugere que elas racharam enquanto estavam deitadas, e não durante o transporte.

Cauwe também aponta que sulcos causados pela erosão da água da chuva indicam que as estátuas permaneceram em pé ao longo das trilhas por longos períodos. Para ele, o estilo das estátuas encontradas nas estradas se assemelha mais às encontradas nas encostas do vulcão do que às erguidas em plataformas cerimoniais. Ele conclui que as estátuas ao longo dos caminhos não têm relação com o transporte.

O que dizem outras teorias sobre o transporte?

Jo Anne Van Tilburg, arqueóloga da UCLA, defende a hipótese do transporte horizontal. Ela acredita que as estátuas eram movidas deitadas, utilizando uma estrutura de madeira em forma de “V” como trenó. Esse trenó era movido com roletes de madeira da pedreira de Rano Raraku. A mesma estrutura também servia como alavanca para erguer as figuras na posição vertical em seus destinos finais.

Em 1998, a equipe de Van Tilburg moveu um moai de 10 toneladas e 4,3 metros de altura utilizando cerca de 50 pessoas. Uma equipe menor utilizou alavancas para erguer a estátua em uma réplica de plataforma. Van Tilburg também considera a possibilidade de as estátuas terem sido transportadas por mar, utilizando rampas de canoas para carregar as esculturas em jangadas.

Van Tilburg acredita que os habitantes da Ilha de Páscoa provavelmente utilizavam o método mais prático para cada situação. Segundo ela, tentar encapsular a história da ilha em uma única teoria é uma má ideia.

Perguntas Frequentes sobre Estátuas da Ilha de Páscoa

Qual a altura e o peso das estátuas da Ilha de Páscoa?

As estátuas da Ilha de Páscoa, conhecidas como moai, podiam atingir até 10 metros de altura e pesar até 86 toneladas. Elas foram esculpidas entre os anos 1200 e 1700 d.C.

Qual a teoria mais recente sobre como as estátuas foram transportadas?

A teoria mais recente, publicada no Journal of Archaeological Science, propõe que as estátuas foram movidas em pé, através de um movimento de balanço. Essa teoria se baseia em experimentos e na análise das características das estátuas encontradas ao longo de antigos caminhos de transporte.

Quais as críticas a essa teoria?

A principal crítica é que as estátuas encontradas ao longo dos caminhos estão, em sua maioria, intactas. Além disso, sulcos causados pela erosão da água da chuva indicam que as estátuas permaneceram em pé ao longo das trilhas por longos períodos, o que sugere que elas não estavam sendo transportadas.

Via Folha de S.Paulo

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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