Filhotes de formigas de duas espécies diferentes nascem da mesma mãe

Formigas ibéricas geram filhotes machos de duas espécies diferentes, desafiando conceitos tradicionais de biologia.
13/09/2025 às 14:02 | Atualizado há 11 meses
Filhotes de formigas de duas espécies diferentes nascem da mesma mãe

Imagine uma formiga que é mãe de duas espécies diferentes de filhotes. Parece coisa de ficção científica, mas essa é a realidade das formigas-colhedoras-ibéricas (Messor ibericus). Cientistas descobriram que essas formigas têm um truque genético surpreendente: elas dão à luz machos de sua própria espécie e também clones machos de outra espécie, a formiga-colhedora-construtora (Messor structor).

Essa descoberta, publicada na revista Nature, desafia a definição tradicional de espécie e levanta questões intrigantes sobre a evolução e a reprodução no mundo natural. Mas como isso acontece? E por que essas formigas fazem isso?

Como uma formiga pode ter filhotes de outra espécie?

As rainhas das formigas-colhedoras-ibéricas desenvolveram um método de reprodução único, batizado de “xenoparidade”, que significa “nascimento estrangeiro”.

Elas se acasalam com machos de sua própria espécie e com machos da formiga-colhedora-construtora, armazenando o esperma de ambos. Em um processo ainda não totalmente compreendido, a rainha remove seu próprio DNA de certos óvulos e os fertiliza com o esperma da outra espécie. O resultado não é um híbrido, mas sim um clone macho da Messor structor.

Qual a importância de questionar a definição de espécie?

O caso dessas formigas nos faz repensar o que define uma espécie. A biologia tradicional diz que uma espécie é um grupo de organismos semelhantes que podem se reproduzir entre si e gerar descendentes férteis. No entanto, aqui, duas espécies distintas são necessárias para manter o sistema reprodutivo. Essa descoberta obriga os cientistas a reconsiderarem o conceito clássico de espécie.

Essa relação entre as formigas desafia a nossa compreensão sobre a evolução e a forma como as espécies podem se adaptar e interagir umas com as outras.

Como os cientistas descobriram essa “maternidade dupla”?

A comprovação dessa relação incomum exigiu anos de pesquisa. Equipes lideradas por Jonathan Romiguier, da Universidade de Montpellier, coletaram colônias de formigas em áreas agrícolas perto de Lyon, na França.

Após a coleta, os cientistas analisaram a morfologia e o material genético de 132 machos de 26 colônias. Metade dos machos apresentava características da M. ibericus, enquanto a outra metade se assemelhava à M. structor. Testes genéticos confirmaram que todos os machos nasceram das mesmas rainhas. Análises de DNA mitocondrial mostraram que tanto os machos clonados quanto os híbridos compartilhavam o DNA mitocondrial da M. ibericus, confirmando a relação direta com a rainha ibérica.

Por que as formigas-colhedoras-ibéricas fazem isso?

A vantagem para a M. ibericus é clara: as operárias híbridas, resultado do cruzamento das duas espécies, são mais fortes e numerosas, o que beneficia a colônia. Além disso, ao clonar machos de M. structor, a espécie garante que sempre haverá parceiros disponíveis para as futuras rainhas ibéricas, mesmo em locais onde não existam colônias naturais da outra espécie. Esse é um tipo de parasitismo sexual.

Já para a M. structor, a vantagem é menos óbvia. Acredita-se que a clonagem permita que a espécie se espalhe para novas regiões, já que ela é restrita a áreas montanhosas e isoladas. Desse modo, ela consegue se disseminar para novas regiões da Península Ibérica e além.

Qual o futuro dessa relação entre as espécies?

Apesar dos benefícios atuais, o sistema pode não durar para sempre. Os machos de M. structor produzidos por clonagem não parecem se cruzar com fêmeas de sua própria espécie, o que pode levar ao acúmulo de mutações prejudiciais ao longo do tempo.

Além disso, experimentos mostraram que as formigas clonadas são mortas quando colocadas em colônias comuns de M. structor, provavelmente por serem consideradas invasoras devido aos feromônios de M. ibericus. No entanto, por enquanto, a parceria continua a prosperar, com as colônias de M. ibericus se multiplicando e sendo sustentadas por operárias híbridas e uma fonte constante de machos de ambas as espécies. O avanço da ciência permite desvendar os segredos desses seres.

Perguntas Frequentes sobre filhotes de formiga

Como as formigas-colhedoras-ibéricas conseguem gerar filhotes de outra espécie?

As rainhas das formigas-colhedoras-ibéricas se acasalam com machos de sua espécie e de outra (Messor structor), armazenando o esperma de ambos. Elas removem seu DNA de certos óvulos e os fertilizam com o esperma da outra espécie, gerando clones machos da Messor structor.

Por que essa descoberta desafia a definição tradicional de espécie?

A biologia tradicional define espécie como um grupo de organismos semelhantes que podem se reproduzir entre si e gerar descendentes férteis. No caso das formigas-colhedoras-ibéricas, duas espécies distintas são necessárias para manter o sistema reprodutivo, o que obriga os cientistas a repensarem o conceito clássico de espécie.

<script type="application/ld+json">
{
  "@context": "https://schema.org",
  "@type": "FAQPage",
  "mainEntity": [
    {
      "@type": "Question",
      "name": "Como as formigas-colhedoras-ibéricas conseguem gerar filhotes de outra espécie?",
      "acceptedAnswer": {
        "@type": "Answer",
        "text": "As rainhas das formigas-colhedoras-ibéricas se acasalam com machos de sua espécie e de outra (Messor structor), armazenando o esperma de ambos. Elas removem seu DNA de certos óvulos e os fertilizam com o esperma da outra espécie, gerando clones machos da Messor structor."
      }
    },
    {
      "@type": "Question",
      "name": "Por que essa descoberta desafia a definição tradicional de espécie?",
      "acceptedAnswer": {
        "@type": "Answer",
        "text": "A biologia tradicional define espécie como um grupo de organismos semelhantes que podem se reproduzir entre si e gerar descendentes férteis. No caso das formigas-colhedoras-ibéricas, duas espécies distintas são necessárias para manter o sistema reprodutivo, o que obriga os cientistas a repensarem o conceito clássico de espécie."
      }
    }
  ]
}
</script>

Via Super

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
Jornalbits.com.br - Todos os direitos reservados