Os fundos sustentáveis da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) estão ganhando cada vez mais espaço no mercado financeiro. Em julho de 2025, esses fundos alcançaram um patrimônio líquido de R$ 36,8 bilhões, demonstrando um crescimento significativo em relação aos anos anteriores. Mas, afinal, o que está impulsionando esse crescimento e quais são os desafios que esses fundos ainda enfrentam?
Por que os fundos sustentáveis estão crescendo tanto?
O aumento do interesse por investimentos sustentáveis reflete uma crescente conscientização sobre questões ambientais, sociais e de governança (ESG). Investidores buscam alinhar seus investimentos com seus valores, optando por fundos que promovem práticas mais responsáveis e sustentáveis. Esse movimento é impulsionado tanto por investidores individuais quanto por grandes instituições.
Além disso, a crescente oferta de títulos verdes, como debêntures e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), tem impulsionado a renda fixa no segmento de fundos IS. Os investidores encontram nesses títulos uma oportunidade de obter retornos interessantes enquanto contribuem para projetos com impacto positivo no meio ambiente e na sociedade.
Qual a diferença entre fundos IS e fundos ESG?
Embora ambos estejam relacionados a investimentos responsáveis, os fundos IS (Investimento Sustentável) e os fundos ESG (Ambiental, Social e Governança) possuem abordagens distintas. Os fundos IS geralmente incluem o termo “IS” no nome, indicando um foco claro em sustentabilidade. Já os fundos ESG integram critérios ambientais, sociais e de governança em suas análises de investimento, mas essa informação nem sempre está explícita no nome do fundo.
Essa diferenciação é importante porque permite que os investidores identifiquem mais facilmente os fundos que se alinham com seus objetivos de sustentabilidade. Carlos Takahashi, diretor da Anbima, destaca que a identificação dos produtos com o “IS” no nome é relevante para o segmento, pois atrai investidores que acreditam na tese e não buscam apenas oportunidades de curto prazo.
Qual o papel do fator ambiental nesse crescimento?
A questão ambiental, o “E” do “ESG”, desempenha um papel crucial na visibilidade dos fundos sustentáveis da Anbima. Questões como mudanças climáticas e transição energética atraem a atenção dos investidores, que percebem mais facilmente o impacto de seus investimentos nessa área. A Anbima revela que cerca de 72% dos fundos IS têm como objetivo questões ligadas ao meio ambiente.
A crescente preocupação com o meio ambiente tem levado os investidores a buscarem alternativas que promovam a sustentabilidade e a redução do impacto ambiental. Empresas que adotam práticas responsáveis e investem em tecnologias limpas tendem a atrair mais investimentos, impulsionando o crescimento dos fundos IS.
Como a renda fixa impulsiona os fundos IS?
A renda fixa tem se destacado na captação líquida dos fundos IS, representando a maior fatia desse mercado, com R$ 23,8 bilhões, cerca de 65% do patrimônio líquido total. Esse crescimento é impulsionado pela emissão de títulos verdes, como debêntures e CRIs/CRAs, que oferecem retornos interessantes e foco em ESG. Os investidores estão unindo o útil ao agradável, buscando rentabilidade e impacto socioambiental positivo.
A emissão de títulos verdes também está se expandindo, com empresas buscando financiamento para projetos sustentáveis. Isso cria um ciclo virtuoso, em que os investidores encontram mais opções de investimento e as empresas têm acesso a recursos para desenvolver práticas mais responsáveis. Além disso, o mercado está evoluindo para apresentar um track record que permita comparações de risco e retorno, atraindo ainda mais investidores.
Quais os desafios para o futuro dos fundos IS?
Apesar do crescimento expressivo, os fundos IS ainda enfrentam desafios importantes. Um deles é a necessidade de ampliar o letramento tanto dos investidores quanto dos profissionais do mercado financeiro. É fundamental que todos compreendam os critérios de sustentabilidade e como eles são aplicados na seleção dos investimentos. Além disso, apesar do crescimento dos fundos IS, sua representatividade ainda é pequena, representando apenas 0,37% do PL total da indústria.
Outro desafio é alinhar um foco maior na pauta social. Carlos Takahashi, da Anbima, ressalta a importância de fazer a transição para uma economia limpa sem deixar ninguém para trás. Os fundos IS têm o potencial de promover a inclusão social e reduzir as desigualdades, mas é preciso direcionar mais investimentos para projetos que gerem impacto positivo nas comunidades.
Onde os fundos IS estão investindo?
Além da renda fixa, os fundos IS também estão investindo em outras classes de ativos, como fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) e fundos de investimento em participações (FIP). Os FIPs, em particular, têm apresentado um crescimento significativo, impulsionado por projetos de longo prazo em áreas como private equity e infraestrutura. Temas como a análise do PL da IA e direitos autorais, que geram grande impacto no crescimento do PIB brasileiro, tem aquecido o mercado.
Esses investimentos em projetos de longo prazo são um bom sinal para a indústria, pois demonstram um compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico. Os FIPs, por exemplo, podem financiar a construção de usinas de energia renovável, o desenvolvimento de tecnologias limpas e a implementação de práticas sustentáveis na agricultura e na indústria. No Pantanal, onças viram atração central em hotéis e fazendas, demonstrando que o setor de turismo também pode ser alinhado a práticas sustentáveis.
Via InfoMoney
