Aquele ditado de que “o software vai engolir o mundo” parece estar mudando. Um relatório recente da Melius Research sugere que a AI está, na verdade, “devorando o software“. Empresas de SaaS, como Adobe e Salesforce, sentiram o impacto, com quedas nas ações. Será que a inteligência artificial vai mesmo mudar o jogo para essas gigantes da tecnologia?
Por que a inteligência artificial agora ameaça o domínio do software?
Há mais de uma década, Marc Andreessen, da a16z, previu que o software revolucionaria a economia. E ele estava certo. Hoje, a inteligência artificial surge como uma força transformadora, desafiando o reinado do software, especialmente para empresas que lideraram o setor nos últimos anos.
Segundo o analista Ben Reitzes, da Melius Research, a ascensão da AI pode ser para o software o que a nuvem foi para os data centers. A migração para a nuvem impulsionou empresas como AWS e Azure, enquanto outras como Dell e IBM perderam espaço. Será que estamos vendo um novo capítulo dessa história?
Quais empresas de SaaS correm mais risco?
O relatório da Melius Research aponta para empresas como Adobe, Atlassian e Salesforce. Todas elas já enfrentam quedas significativas em suas ações. A recomendação é evitar investir nessas empresas de SaaS, enquanto empresas de software com soluções em nuvem continuam a crescer.
A Adobe, por exemplo, viu sua recomendação rebaixada de “neutro” para “venda”. A consultoria prevê revisões para baixo nos resultados da empresa nos próximos trimestres, com um preço-alvo reduzido de US$ 400 para US$ 310 por ação.
Outra empresa que também está sentindo o baque é a Monday, com uma queda de 23% no ano. Os valuations de software permanecem sob pressão, o que deve trazer volatilidade no curto prazo.
Analistas da RBC Capital Markets afirmam que o mercado está preocupado com a “morte do software devido à AI“. Mas será que essa preocupação é justificada?
Como a Salesforce está se adaptando à nova realidade da IA?
A Salesforce, líder em customer relationship management (CRM), está desenvolvendo seu próprio agente de AI, o Agentforce, para se manter relevante. No entanto, a empresa enfrenta a concorrência de outras gigantes como a Microsoft.
Marc Benioff, CEO da Salesforce, afirmou que a empresa está acelerando o uso de AI, automatizando entre 30% e 50% do trabalho. Ele reconhece que a AI pode realizar tarefas que antes eram feitas por humanos, gerando mais valor para a empresa. A Mistral AI avança no mercado global com novos modelos, parcerias e expansão.
Apesar dos esforços, os investidores ainda não estão convencidos. As ações da Salesforce já caíram 30% este ano. Será que a estratégia da empresa será suficiente para reverter essa tendência?
Qual o impacto da IA nos custos das empresas?
O relatório da Melius Research indica que as empresas estão percebendo que as ferramentas de AI podem ajudar a cortar custos com contratos de SaaS. O Opex (despesas operacionais) está caindo como percentual do faturamento desde o início do boom da AI.
Uma das formas de reduzir custos é diminuir o número de funcionários que utilizam as soluções de SaaS. A Adobe pode ser particularmente impactada por essa tendência. A ideia é que as empresas sintam que precisam cortar custos e aumentar seus lucros, e o SaaS acaba sendo a vítima nesse processo, com a adoção da AI acelerando essa mudança.
Essa mudança pode trazer volatilidade no curto prazo. O avanço dos chatbots de IA e seu impacto em 2025 é um exemplo dessa volatilidade.
Microsoft: Adaptação é a chave do sucesso?
Satya Nadella, CEO da Microsoft, priorizou o Azure, impulsionando o valor de mercado da empresa. Hoje, o Azure é a segunda maior nuvem do mundo, atrás apenas da AWS da Amazon.
A Microsoft conseguiu transformar a disrupção em oportunidade, adaptando-se às novas tecnologias. No entanto, quando isso não acontece, os investidores migram para os disruptores. Será que outras empresas de software conseguirão seguir o exemplo da Microsoft?
Quais são as alternativas para empresas como a Adobe?
No caso da Adobe, a consultoria aponta para a emergência de competidores como Figma, Canva e Runway. Além disso, os próprios provedores de nuvem, como o Google, podem criar ferramentas de geração de imagem e vídeo. Google mantém o Chrome diante de rivais de IA após decisão judicial.
A Adobe, que é uma ação essencial na carteira de investidores em papéis da indústria de software, precisa se reinventar para enfrentar essa concorrência. Será que a empresa conseguirá se adaptar e manter sua relevância no mercado?
Perguntas Frequentes sobre AI devorando software
O que significa a expressão “AI devorando software”?
A expressão se refere à crescente capacidade da inteligência artificial de substituir ou otimizar funções antes realizadas por softwares tradicionais, especialmente no modelo SaaS (Software as a Service), levando a uma possível redução de custos e mudanças no mercado.
Quais empresas de SaaS estão mais vulneráveis a essa tendência?
Empresas como Adobe, Salesforce e Workday são apontadas como as mais vulneráveis, pois seus modelos de negócio podem ser impactados pela capacidade da IA de automatizar tarefas e reduzir a necessidade de assinaturas de software.
Como as empresas podem se adaptar a essa nova realidade?
Empresas como a Microsoft têm se adaptado investindo em soluções de nuvem e IA, transformando a disrupção em oportunidade. Outras empresas, como a Salesforce, estão desenvolvendo suas próprias soluções de IA para se manterem competitivas.
Via Brazil Journal
