Depois de um 2024 com preços salgados, a inflação de alimentos em casa deu um respiro em 2025, contribuindo para que o IPCA ficasse abaixo do teto da meta. Mas será que essa boa notícia vai se repetir em 2026? Economistas do Grupo Estado, consultados pelo Broadcast, já adiantam que o cenário pode não ser tão favorável assim, principalmente por causa da carne bovina.
Por que a inflação dos alimentos surpreendeu em 2025?
Vários fatores se uniram para trazer alívio no bolso dos brasileiros em 2025. A valorização do real, as safras generosas, a queda nos preços das commodities e até mesmo o aumento das tarifas, que impulsionou a oferta interna, foram alguns dos ingredientes dessa receita de sucesso.
Para se ter uma ideia, o subgrupo de alimentação no domicílio teve quedas de preço por cinco meses seguidos, de junho a outubro, de acordo com o IPCA. E não foi só isso: a carne também ficou mais em conta, ajudando a segurar a inflação.
Qual foi o grande trunfo para segurar os preços?
Segundo o economista João Fernandes, da Quantitas, o grande fator que surpreendeu o mercado foi a dinâmica do boi gordo. A redução nos preços da carne bovina foi tão significativa que fez a Quantitas revisar para baixo a projeção de inflação de alimentos para 2026, de 5,5% para 4,9%.
Fernandes ressalta que, mesmo com as quedas, o mercado esperava uma correção nos preços, o que demorou a acontecer. As análises do atacado mostraram que ainda havia espaço para mais reduções.
O que esperar para os preços da carne em 2026?
A expectativa é que o preço da carne suba, impulsionado pelas exportações e pelo ciclo do boi. No entanto, Fernandes pondera que essa situação é incerta. A esperada diminuição no abate de fêmeas não ocorreu no segundo semestre de 2025, e a expectativa foi adiada para o primeiro semestre de 2026.
Quais outros alimentos podem pesar no bolso do consumidor?
Além da carne, o economista Fabio Romão, da 4intelligence, alerta para outras categorias que podem impactar a inflação de alimentos: frutas, leites e derivados, e óleos e gorduras. Para se ter uma ideia, a projeção inicial para o subgrupo de alimentação era de alta de 7%, mas foi revista para algo entre 2,5% e 3%.
Romão explica que a valorização do câmbio de 2025 não deve se repetir em 2026. Além disso, a carne ainda pode subir até meados do ano, já que a base de comparação ficou baixa.
Qual o impacto da taxa de câmbio na inflação dos alimentos?
A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andrea Angelo, acredita que a taxa de câmbio, estimada em R$ 5,40 para 2025 e 2026, não deve ter um peso tão grande na inflação de alimentos no próximo ano. A projeção para a alta dos alimentos no domicílio em 2026 é de 6%.
Angelo ressalta que os preços de feijão, arroz e leite estão relativamente baixos e não devem permanecer assim por muito tempo. Além disso, ela também espera um aumento no preço da carne bovina. Aproveitando o assunto, você sabe o que torna um material biodegradável? Entenda as diferenças.
Perguntas Frequentes sobre Inflação de Alimentos
Por que a inflação dos alimentos foi menor em 2025?
A inflação dos alimentos foi menor em 2025 devido a uma combinação de fatores, incluindo a valorização do real, boas safras, queda nos preços de commodities e aumento da oferta interna.
O preço da carne deve subir em 2026?
A expectativa é que o preço da carne suba em 2026, impulsionado pelas exportações e pelo ciclo do boi. No entanto, essa situação é incerta e depende de fatores como a diminuição no abate de fêmeas.
Quais alimentos podem ficar mais caros em 2026?
Além da carne, outras categorias de alimentos que podem ficar mais caras em 2026 são frutas, leites e derivados, e óleos e gorduras.
Via InfoMoney
