A proposta de criar um roadmap de combustíveis fósseis na COP30, liderada pelo Presidente Lula e apoiada por mais de 80 países, não avançou. A resistência dos produtores de petróleo, divisões na União Europeia e a falta de financiamento para países mais pobres foram os principais obstáculos.
Por que a proposta de um roadmap global para eliminar o petróleo falhou na COP30?
A iniciativa, que ganhou força com a Declaração de Belém, enfrentou forte oposição. Países produtores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita, consideraram o roadmap uma “linha vermelha”. Além disso, o bloco LMDC, que inclui China e Índia, criticou a falta de financiamento dos países ricos para apoiar a transição energética nos países em desenvolvimento.
Divisões internas na União Europeia também contribuíram para o fracasso. A falta de um consenso global e a ausência de compromissos financeiros concretos inviabilizaram a proposta.
Quais países apoiaram a Declaração de Belém?
A Declaração de Belém, que pedia um roadmap “claro, justo e equitativo” para eliminar os combustíveis fósseis, recebeu apoio de diversos países. Entre eles, Colômbia, Holanda, Austrália, Chile, Costa Rica, Dinamarca, Luxemburgo, México, Espanha, Vanuatu, Tuvalu, Panamá e as Ilhas Marshall.
Esses países, de diferentes continentes, demonstraram um compromisso com a transição para fontes de energia mais limpas e sustentáveis. Para os pequenos Estados insulares, como Vanuatu e Tuvalu, essa transição é vista como uma questão de sobrevivência devido às ameaças das mudanças climáticas. Inclusive, recentemente o Governo Lula anunciou a demarcação de 10 novas reservas indígenas após protestos na COP-30.
Qual foi a posição dos países africanos em relação ao roadmap?
A África apresentou uma divisão de opiniões sobre o roadmap. Países como Quênia, Ruanda e Cabo Verde apoiaram a Declaração de Belém. No entanto, grandes produtores africanos, como Nigéria, Angola e Argélia, rejeitaram a ideia de eliminar os combustíveis fósseis.
Esses países argumentaram que o foco deveria ser na redução das emissões, e não nos combustíveis em si. Uma maioria de países africanos adotou uma posição pragmática, condicionando o apoio ao roadmap a financiamento em larga escala e acesso a tecnologias para a industrialização do continente.
Qual é a crítica em relação ao financiamento da transição energética?
O Global Stocktake, aprovado em Dubai, reconhece a necessidade de US$ 4,3 trilhões por ano em energia limpa até 2030. Países em desenvolvimento estimam que precisam de mais de US$ 5,8 trilhões até 2030. No entanto, os países desenvolvidos não apresentaram novos aportes financeiros e não cumpriram metas antigas.
Essa falta de financiamento é vista como um obstáculo para a implementação do roadmap de combustíveis fósseis. A ausência de recursos financeiros adequados pode inviabilizar a transição energética em muitos países. E, recentemente, a Axia Energia anunciou pagamento de dividendos por meio de nova classe de ações.
O que o Brasil fará em relação ao roadmap?
Apesar do revés na COP30, o Brasil não desistiu da ideia de um roadmap para eliminar os combustíveis fósseis. André Corrêa do Lago, presidente da COP30, e Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, anunciaram que o Brasil elaborará o roadmap por fora da UNFCCC durante sua presidência interina.
O documento será produzido com estudos, seminários e apoio técnico de diversas instituições, incluindo agências internacionais de energia e a Opep. O objetivo é criar um relatório “substantivo, neutro e equilibrado” sobre como os países podem reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, considerando suas realidades econômicas e sociais.
Perguntas Frequentes sobre Roadmap de combustíveis fósseis
Por que o roadmap de combustíveis fósseis não foi aprovado na COP30?
A proposta de um roadmap global para eliminar o petróleo enfrentou resistência de países produtores, divisões na União Europeia e falta de financiamento para países em desenvolvimento, inviabilizando sua aprovação formal.
Qual a posição dos países africanos sobre o roadmap de combustíveis fósseis?
Houve divisão entre os países africanos, com alguns apoiando a Declaração de Belém e outros, grandes produtores, rejeitando a ideia de eliminar os combustíveis fósseis, defendendo o foco na redução de emissões.
O que o Brasil pretende fazer em relação ao roadmap de combustíveis fósseis?
O Brasil, apesar do revés na COP30, planeja elaborar um roadmap por fora da UNFCCC durante sua presidência interina, buscando apoio técnico de diversas instituições para criar um relatório equilibrado sobre a transição energética.
Via Brazil Journal






