Medicamento brasileiro pode ajudar na recuperação de movimentos após lesões na medula

Entenda como a polilaminina pode ajudar na recuperação após lesões na medula. Estudos mostram avanços promissores no Brasil.
11/09/2025 às 17:51 | Atualizado há 11 meses
Medicamento brasileiro pode ajudar na recuperação de movimentos após lesões na medula

Cientistas brasileiros desenvolvem medicamento para lesões na medula que promete revolucionar o tratamento de pacientes com paraplegia e tetraplegia. A polilaminina, derivada de uma proteína da placenta, já apresentou resultados promissores em estudos experimentais, oferecendo esperança para a recuperação de movimentos. Entenda como essa inovação pode transformar a vida de milhares de pessoas.

Como a polilaminina atua no tratamento de lesões medulares?

A polilaminina é uma substância derivada da laminina, uma proteína essencial presente no corpo humano desde a fase embrionária. Essa proteína tem a função de criar uma rede tridimensional que facilita a comunicação entre os neurônios.

Quando a polilaminina é reintroduzida no organismo, ela tem o potencial de estimular os neurônios maduros a formarem novos axônios, que são fibras responsáveis por conduzir os impulsos elétricos. Esse processo pode criar rotas alternativas para restabelecer a transmissão de sinais interrompidos por traumas na medula. Em casos de lesões recentes, a polilaminina atua protegendo contra danos imediatos. Em lesões crônicas, ela pode ajudar na regeneração das conexões neuronais.

Quais foram os resultados observados nos estudos com a polilaminina?

Desde 2018, um estudo acadêmico da UFRJ acompanhou oito pacientes com lesões medulares completas. Cada um deles recebeu uma única injeção de polilaminina diretamente na medula, em até 72 horas após o acidente.

Dos oito pacientes, seis sobreviveram e apresentaram diferentes níveis de recuperação motora. Um dos casos mais notáveis é o de Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente de trânsito. Após 24 horas do tratamento, ele começou a apresentar pequenos movimentos e, com fisioterapia intensiva, recuperou grande parte da sua mobilidade.

Houve outros casos de sucesso com o uso da polilaminina?

Sim, a atleta de rugby em cadeira de rodas, Hawanna Cruz Ribeiro, também apresentou melhoras significativas após receber o medicamento. Ela havia perdido os movimentos abaixo do pescoço após uma queda e, após o tratamento, recuperou parcialmente o tronco, melhorou a sensibilidade e conseguiu retomar o esporte de alto rendimento.

Além disso, pacientes crônicos tratados anos após o trauma também relataram ganhos, indicando que a polilaminina pode ter um efeito regenerativo a longo prazo. Testes em animais mostraram respostas rápidas, com ratos voltando a se mover em 24 horas e cães com lesões voltando a andar.

Quais são os próximos passos para a disponibilização do medicamento?

O laboratório Cristália está aguardando a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 1 de ensaios clínicos. Essa fase é crucial para avaliar a segurança do medicamento em um pequeno grupo de voluntários.

A Anvisa informou que ainda não recebeu o pedido formal para o início dessa etapa e aguarda os resultados complementares dos testes pré-clínicos em animais. Hospitais como o das Clínicas e a Santa Casa de São Paulo estão preparados para iniciar as aplicações assim que houver aprovação. A fase 1 pode durar cerca de um ano e meio, e todo o processo regulatório pode levar até três anos antes que o medicamento esteja disponível, caso seja aprovado.

Quais são as causas de lesões na medula espinhal?

As lesões na medula espinhal podem ser causadas por diversos fatores, como acidentes de trânsito, quedas e mergulhos. Além disso, doenças inflamatórias como a esclerose múltipla, tumores, fraturas associadas à osteoporose e compressões na coluna provocadas pelo envelhecimento também podem levar a essas lesões.

Atualmente, não existem terapias capazes de regenerar o tecido nervoso de forma eficaz. A aprovação da polilaminina poderia representar um avanço significativo no tratamento dessas condições, oferecendo uma nova esperança para pacientes em todo o mundo. Transplantes de órgãos e a possibilidade de vida até 150 anos discutida por líderes globais são temas que ganham nova perspectiva com avanços como este.

Perguntas Frequentes sobre Medicamento para lesões na medula

Como a polilaminina age no organismo para tratar lesões na medula?

A polilaminina estimula neurônios maduros a criarem novos axônios, que são fibras que conduzem impulsos elétricos. Isso permite restabelecer a condução de sinais interrompidos por traumas, protegendo contra danos imediatos e regenerando conexões neuronais em casos crônicos.

Quais resultados foram observados em pacientes que utilizaram a polilaminina?

Pacientes com lesões medulares completas apresentaram diferentes níveis de recuperação motora. Alguns recuperaram movimentos discretos, enquanto outros, como a atleta Hawanna Cruz Ribeiro, conseguiram retomar atividades esportivas de alto rendimento.

Qual o tempo estimado para que a polilaminina esteja disponível para uso?

O processo regulatório, que inclui a fase 1 de ensaios clínicos e a aprovação da Anvisa, pode levar até três anos antes que o medicamento esteja disponível para uso, caso seja aprovado.

Via Super

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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