NASA criou açúcar sem calorias para missão em Marte nos anos 60

NASA desenvolveu um açúcar sem calorias para Marte, mas custo alto impediu venda comercial. Entenda a história e o impacto da missão Viking.
10/09/2025 às 13:31 | Atualizado há 11 meses
NASA criou açúcar sem calorias para missão em Marte nos anos 60

Já imaginou saborear um bolo de chocolate sem culpa? Nos anos 60, a Nasa criou um açúcar sem calorias para a missão Viking, a primeira a pousar em Marte. A glicose-L, quase idêntica ao açúcar comum, não é metabolizada pelo corpo humano. Mas, por que esse açúcar nunca chegou às prateleiras dos supermercados? Vamos descobrir!

Por que a Nasa criou um açúcar diferente para a missão Viking?

A busca por vida em Marte inspirou a criação desse açúcar sem calorias. O engenheiro Gilbert V. Levin desenvolveu nutrientes radioativos para detectar vida microbiana no planeta. Se os micróbios marcianos metabolizassem esses nutrientes, liberariam dióxido de carbono radioativo, indicando a presença de vida.

Como não se sabia se os micróbios marcianos consumiriam açúcar-D ou açúcar-L, Levin sintetizou ambos em laboratório. Essa precaução visava garantir que nenhum sinal de vida fosse perdido, independentemente de sua preferência por isômeros de açúcar. Inicialmente, glicose-D e glicose-L foram produzidas, mas limitações técnicas levaram ao uso de lactose-D e lactose-L na missão.

Como funciona o açúcar sem calorias?

A química explica tudo! Moléculas de açúcar, como glicose e frutose, são quirais. Isso significa que elas podem existir em duas configurações: uma versão espelhada da outra, como a mão direita e a esquerda. Apesar de idênticas em fórmula, elas não se sobrepõem.

O açúcar natural é sempre do tipo “mão direita” (açúcar-D), resultado da fotossíntese das plantas terrestres. Evoluímos para metabolizar apenas esse tipo. A ideia era que, em outros planetas, a vida poderia usar o açúcar “mão esquerda” (açúcar-L). A missão Viking utilizou ambos para não descartar nenhuma possibilidade de detecção de vida.

Qual o resultado do experimento de Gilbert V. Levin?

Para surpresa de todos, os resultados de Levin indicaram a presença de vida em Marte. No entanto, outros dois experimentos da missão Viking 1 deram negativo. A explicação mais provável é que oxidantes no solo marciano tenham interferido no teste de Levin, gerando um falso positivo.

Apesar da frustração, Levin havia criado um tipo de açúcar inédito na natureza. Ele não era metabolizado pelo organismo, restando saber se o sabor seria o mesmo do açúcar comum. Os testes com consumidores da Spherix Inc., empresa de Levin, confirmaram que ninguém notava a diferença entre as versões L e D do açúcar.

Por que o açúcar sem calorias nunca chegou ao mercado?

Apesar do potencial, a fabricação da glicose-L era extremamente cara, inviabilizando sua comercialização. Levin tentou o mesmo com frutose-L e gulose-L, mas os custos de produção continuaram altos. A versão “canhota” dos açúcares nunca chegou às prateleiras.

A pesquisa não foi em vão. Levin descobriu que a tagatose-D, um açúcar presente em pequenas quantidades na natureza, é similar à frutose-L. Ela é 92% tão doce quanto o açúcar comum, mas com apenas 38% das calorias. A Spherix patenteou um método econômico de produção de tagatose-D em 1988. Nos EUA, o adoçante é considerado seguro pela FDA, mas ainda aguarda aprovação da Anvisa no Brasil.

Quem sabe, no futuro, não veremos um novo adoçante nas prateleiras dos supermercados? Enquanto isso, você pode conferir os principais lançamentos da Netflix e MUBI em setembro de 2025 e relaxar um pouco.

Perguntas Frequentes sobre Açúcar sem Calorias

O que é glicose-L?

Glicose-L é um tipo de açúcar com a mesma estrutura da glicose comum (glicose-D), mas com configuração molecular “espelhada”. Essa diferença impede que o corpo humano a metabolize, tornando-a um açúcar sem calorias.

Por que a Nasa criou a glicose-L?

A Nasa buscava detectar vida em Marte durante a missão Viking. Cientistas criaram a glicose-L para garantir que, caso existissem micróbios com metabolismo diferente do terrestre, eles pudessem ser detectados.

Por que a glicose-L não é vendida comercialmente?

A produção da glicose-L é muito cara, o que inviabiliza sua comercialização em larga escala. Apesar de ter o mesmo sabor do açúcar comum e não ser metabolizada pelo corpo, o custo de fabricação impede que ela chegue ao mercado.

Via Super

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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