Após uma queda de mais de 10% nas ações da Rumo desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre, a empresa se reuniu com gestores e analistas para esclarecer pontos de preocupação do mercado. A reunião, que contou com a presença do CEO Pedro Palma e do CFO Guilherme Machado, abordou temas como a política de precificação, a capacidade de execução operacional e os custos e prazos do principal projeto de expansão da companhia.
Por que a Rumo convocou essa reunião com o mercado?
A Rumo com o mercado se reuniu para tentar dissipar ruídos de comunicação que têm afetado a confiança dos investidores. Após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, as ações da empresa sofreram uma queda significativa, levando a questionamentos sobre a estratégia de precificação e a capacidade de entregar resultados consistentes. Atualmente, a ação da Rumo está sendo negociada no patamar mais baixo dos últimos cinco anos, cotada a R$ 14,68, com um valor de mercado de R$ 27,2 bilhões.
Qual a explicação da Rumo para a não concretização do aumento de preços?
A Rumo esperava um aumento nos preços de seus contratos de transporte de grãos, que representam 70% do volume da companhia. A projeção era alcançar R$ 285 por tonelada, superando os R$ 261 praticados no ano anterior. No entanto, o preço realizado no segundo trimestre foi de R$ 246. Segundo o CEO Pedro Palma, a pressão logística esperada não se concretizou devido à decisão dos produtores de segurar as vendas após a colheita de soja, aguardando uma possível alta nos preços.
Diante desse cenário, a Rumo ajustou sua estratégia para priorizar o volume em vez de margens mais elevadas. “Somos um negócio de infraestrutura. O que faz sentido é preencher a capacidade e girar o ativo com muito volume”, afirmou o executivo. Ele garantiu que o patamar de preço atual ainda é saudável e remunera os investimentos da empresa. Essa mudança de estratégia visou garantir a utilização máxima da capacidade da companhia, mesmo que isso significasse uma margem de lucro um pouco menor.
Como a estratégia de pré-contratação impactou a Rumo e as tradings?
Em dezembro de 2023, a Rumo conseguiu pré-contratar 100% de sua capacidade para o ano seguinte, com contratos de take or pay a um preço 20% acima de 2023. Essa estratégia foi bem-sucedida, pois os preços spot caíram ao longo do ano devido a problemas nas safras, mas a Rumo manteve seu faturamento. No entanto, essa situação prejudicou as tradings, que tiveram que pagar o valor acordado ou comprar dos produtores com margem negativa.
Para 2025, as tradings adotaram uma postura mais cautelosa, optando por contratar de forma mais gradual, acompanhando o avanço da safra. O CFO da Rumo ressaltou que a empresa está sujeita à ciclicidade do agronegócio, mas que a trajetória de preços tem sido de crescimento nos últimos anos, superando a inflação. “Não é uma trajetória linear, mas somos uma companhia cujo direcional é de crescimento de volume e preço, com algumas oscilações no curto prazo pelos aspectos estruturais. Isso faz parte do jogo”, explicou.
A Rumo confia em atingir as metas de volume estabelecidas para o ano?
O mercado questionou se a Rumo conseguiria cumprir seu guidance de volume para o ano, que é de 82 bilhões a 86 bilhões de TKUs. No primeiro semestre, a companhia entregou 37,9 bilhões, necessitando de pelo menos 44 bilhões no segundo semestre para alcançar a faixa mais baixa do guidance. O CFO da Rumo reafirmou a convicção de que a empresa estará dentro do range do guidance, mesmo que não atinja o ponto médio. Ele destacou que o volume de agosto, de 8,2 bilhões de TKUs, foi o maior da história da companhia em um único mês.
A Rumo tem investido em melhorias operacionais, como planejamento e eficiência, para otimizar a movimentação dos trens e reduzir o tempo de resposta a intercorrências. O CFO mencionou que a empresa possui uma equipe de ferroviários experientes e tem conseguido reduzir o turnover dos maquinistas. Essas iniciativas visam garantir a entrega dos volumes esperados e a melhoria contínua da operação da companhia. Estratégias de negócio também são importantes para o desenvolvimento da empresa, saiba mais sobre como elaborar um plano de negócios para e-commerce.
O aumento no capex da expansão da ferrovia no Mato Grosso ainda preocupa?
Em agosto do ano passado, a Rumo fez um ajuste de 40% no capex para a primeira fase do projeto de expansão da ferrovia no Mato Grosso, elevando-o para R$ 5 bilhões. Essa revisão gerou dúvidas no mercado sobre a possibilidade de novos ajustes ou atrasos na conclusão da obra, prevista para o final de 2026. O CEO da Rumo garantiu que o projeto está on track e on budget, com uma governança robusta e acompanhamento constante do avanço físico da ferrovia.
A companhia adotou uma estratégia de contratar diferentes parceiros para executar cada trecho da ferrovia, mitigando os riscos do projeto. Além da expansão no Mato Grosso, a Rumo planeja construir um novo terminal no Porto de Santos, com um capex de R$ 2,5 bilhões e um prazo de execução de cerca de 30 meses após a obtenção das licenças. Para este ano, o capex total da companhia será de R$ 6 bilhões, distribuídos entre a Ferrovia de Mato Grosso, manutenção de ativos e aquisição de locomotivas.
Qual o contexto da reunião em relação ao mercado financeiro?
A reunião ocorre em um momento delicado, com o short interest na Rumo próximo ao high histórico. A companhia possui 126 milhões de ações alugadas, equivalentes a 10% do float ou 14 dias de negociação, com uma taxa de aluguel de quase 6% ao ano. A Rumo está sendo negociada a 4,9 vezes seu EBITDA estimado para 2026, abaixo da média histórica de 8,7 vezes. Esses dados indicam uma pressão vendedora sobre as ações da empresa e uma percepção de risco elevada por parte dos investidores.
Perguntas Frequentes sobre Rumo com o mercado
Por que a Rumo se reuniu com analistas e gestores?
A Rumo promoveu a reunião para esclarecer ruídos de comunicação com o mercado, após uma queda nas ações devido a preocupações sobre precificação, execução e custos de expansão.
Qual foi a principal questão abordada na reunião?
A principal questão foi a política de precificação da Rumo, com investidores questionando a não concretização do aumento de preços esperado nos contratos de transporte de grãos.
A Rumo mantém a confiança em atingir suas metas de volume?
Sim, a Rumo reafirmou sua convicção de que atingirá o guidance de volume para o ano, impulsionada por investimentos em melhorias operacionais e um volume recorde em agosto.
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