A Hapvida viu suas ações despencarem 42% após a divulgação de um balanço do terceiro trimestre considerado muito abaixo das expectativas do mercado. A reação negativa foi imediata, levando a empresa a negociar seus papéis a R$ 16,75, o menor valor do dia, representando uma queda de quase 49%.
Os resultados da companhia de saúde foram impactados por diversos fatores, incluindo o aumento da sinistralidade, o crescimento fraco no número de vidas e a geração de caixa negativa, o que levantou preocupações entre os investidores e analistas do setor.
Por que o balanço da Hapvida surpreendeu tão negativamente o mercado?
A Hapvida apresentou um desempenho abaixo do esperado em várias áreas. A sinistralidade, que mede os custos dos serviços de saúde em relação às receitas, teve uma piora significativa.
Além disso, as despesas aumentaram e o crescimento no número de vidas (clientes) foi considerado fraco, contribuindo para uma geração de caixa negativa e um aumento na dívida da empresa em mais de R$ 200 milhões.
Quais foram os “one-offs” que complicaram a análise do balanço?
O balanço da Hapvida foi afetado por diversos “one-offs“, eventos não recorrentes que impactaram os resultados. Esses eventos, tanto positivos quanto negativos, evidenciaram a volatilidade e instabilidade do negócio.
Considerando esses fatores, o impacto positivo no EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 98 milhões. Ajustando por esses eventos, o EBITDA do trimestre foi de R$ 613 milhões, uma queda de 20% em relação ao ano anterior e cerca de 27% abaixo do consenso do mercado.
O lucro líquido de R$ 204 milhões também ficou 20% abaixo das expectativas. Para entender melhor sobre balanços financeiros, veja este artigo sobre equilíbrio financeiro.
Como a sinistralidade impactou os resultados da Hapvida?
A piora na sinistralidade foi um dos principais fatores que contribuíram para o desempenho negativo da Hapvida. A empresa reportou um ‘cash MLR’ (relação entre despesas médicas e receita) de 75,2% no trimestre.
Isso representa um aumento de 130 pontos-base em relação ao trimestre anterior e de 140 pontos-base em comparação com o mesmo período do ano passado. O CEO da Hapvida, Jorge Pinheiro, explicou que essa piora está relacionada à entrada em operação de hospitais próprios.
Esses hospitais elevaram os custos fixos sem a contrapartida imediata da receita, além de uma sazonalidade desfavorável, com um maior volume de atendimentos devido a casos de virose no Norte e Nordeste e um inverno mais rigoroso no Sul e Sudeste.
O que a Hapvida está fazendo para reverter esse cenário?
Segundo o CEO, a Hapvida está trabalhando para resolver os problemas relacionados à rede própria através do crescimento nessas regiões e ajustes de preços. Ele também espera que a sazonalidade se normalize no quarto trimestre, com uma queda nos volumes de atendimento já em novembro.
Além disso, a empresa está buscando ajustar incentivos, produtos e reforçar a área de gestão, inclusive com a contratação de uma consultoria especializada. A Hapvida pretende usar sua rede própria ampliada para aumentar a competitividade e buscar um 2026 mais favorável do ponto de vista comercial.
Qual a avaliação do mercado sobre a queda das ações da Hapvida?
Um gestor com uma pequena posição na companhia avaliou que a queda das ações reflete o “cansaço do mercado” e a “falta de confiança” na empresa, mais do que apenas os números do balanço. Ele acredita que o mercado “capitulou” após dar à Hapvida o benefício da dúvida por vários trimestres.
A impressão é que a Hapvida não está conseguindo operar no mercado do Sudeste e atingir um novo patamar de gestão adequado ao seu tamanho e às regiões em que atua. A aquisição da Intermédica, realizada em um momento desfavorável do ciclo econômico, parece não ter sido totalmente integrada, e a empresa não conseguiu “domar o animal grande que caçou”.
Como a Hapvida reagiu à desvalorização de suas ações?
O CEO da Hapvida considerou a reação do mercado “exagerada” e informou que tanto a companhia quanto a família controladora estão aproveitando a oportunidade para comprar mais ações. A Hapvida recomprou as 20 milhões de ações de um programa já existente, equivalentes a cerca de R$ 400 milhões.
Além disso, a empresa abriu um novo programa para recomprar mais 70 milhões de ações. Para saber mais sobre o mercado de ações, veja este artigo sobre recompra de ações na B3.
Qual o impacto das revisões dos analistas sobre a Hapvida?
O resultado fraco da Hapvida levou alguns analistas a revisar seus modelos e reduzir as projeções para a empresa. O BTG Pactual, por exemplo, cortou sua projeção para o EBITDA do ano que vem em 20%.
O analista Samuel Alves escreveu que é difícil esperar que as margens sejam muito maiores que os níveis atuais, já que os desafios vistos no terceiro trimestre devem persistir por algum tempo. O Itaú BBA também indicou que os resultados devem levar a ajustes no modelo, mas ainda não modificou suas projeções.
Perguntas Frequentes sobre Hapvida Implode 42%
Por que as ações da Hapvida caíram tanto?
As ações da Hapvida caíram 42% devido a um balanço do terceiro trimestre que ficou bem abaixo das expectativas do mercado, com aumento da sinistralidade, despesas elevadas e crescimento fraco no número de clientes.
O que a Hapvida está fazendo para melhorar seus resultados?
A Hapvida está ajustando preços, buscando crescimento em regiões estratégicas e reforçando a gestão com consultorias especializadas, além de esperar a normalização da sazonalidade no volume de atendimentos.
Qual a avaliação do mercado sobre a reação da Hapvida?
O mercado demonstra cansaço e falta de confiança na Hapvida, com alguns gestores acreditando que a empresa não está conseguindo integrar aquisições e operar de forma eficiente em todas as regiões.
Via Brazil Journal






