André Esteves, controlador do BTG Pactual, considera a venda do Pactual para o UBS por US$ 3,2 bilhões como o maior erro de sua trajetória empresarial. A operação, embora financeiramente espetacular, revelou-se uma armadilha cultural e estratégica. Esteves compartilhou essa reflexão durante a PRIO Conference, com curadoria do Brazil Journal, destacando a importância de aprender com os erros e a oportunidade de reconstruir o banco em 2009.
Por que André Esteves considera a venda do Pactual um erro?
A venda do Pactual para o UBS, embora lucrativa no momento, representou para André Esteves a perda de algo inestimável: a cultura e a capacidade de crescimento autônomo do banco. Ele percebeu que, ao se integrar a uma grande companhia global, o Pactual perdeu sua identidade e a agilidade que o diferenciavam.
Esteves sublinha que a juventude e a sedução por uma oferta financeira tentadora os cegaram para a qualidade intrínseca que possuíam. A recompra do banco em 2009 foi vista como uma chance de corrigir esse equívoco e retomar o caminho de um negócio brasileiro de classe mundial.
Qual foi a principal lição aprendida com a recompra do BTG Pactual?
A recompra do BTG Pactual em 2009, durante o auge da crise financeira global, ensinou a André Esteves sobre a importância de identificar oportunidades em momentos de adversidade. Ele ressalta que o ambiente externo é apenas um cenário, e cabe à empresa aproveitar ao máximo as circunstâncias.
A cultura do BTG Pactual, segundo Esteves, proíbe reclamações e incentiva a busca por soluções. Ele acredita que empresas de sucesso prosperam mesmo em governos desfavoráveis, enquanto empresas ruins dependem de um ambiente político ideal.
Como Nelson Tanure, da PRIO, garante o sucesso da empresa?
Nelson Queiroz Tanure, chairman da PRIO, atribui o sucesso da companhia a uma cultura focada em ambição, crescimento sustentável e fluxo de caixa livre. Um dos pilares dessa cultura é um exercício realizado com os executivos em que definem o que querem e o que não querem para a empresa.
Tanure enfatiza a importância de ter pessoas alinhadas, com grande parte de seu patrimônio investido na companhia, que valorizem a ética e estejam dispostas a trabalhar arduamente em um ambiente divertido. Ele critica a criação excessiva de comitês, que considera um manual da CIA para sabotar organizações terroristas, preferindo uma estrutura ágil e focada em resultados. Sabia que a competição entre empresas pode acelerar o crescimento?
Qual a visão de Esteves e Tanure sobre a contratação de pessoas?
André Esteves busca contratar “donos jovens, sem dinheiro, de classe média, que estudaram em boas universidades e têm muita vontade de construir uma história.” Ele acredita que o sucesso financeiro está mais ligado à ambição de construir do que à ambição financeira em si.
Já Tanure prioriza pessoas que acreditam na PRIO e dão o seu máximo. Ele reconhece que, no início, era difícil convencer as pessoas a investirem na empresa, mas a superação dos desafios foi possível graças ao comprometimento daqueles que acreditavam no potencial da PRIO. Inclusive, a Lastlink capta R$ 28 milhões para ampliar concorrência com a Hotmart.
Qual a análise de André Esteves sobre o cenário macroeconômico brasileiro?
Esteves demonstra otimismo em relação ao Brasil, afirmando que “está muito fácil resolver o Brasil.” Ele argumenta que os bons governos surgiram em momentos de estresse, o que não ocorre atualmente. Com inflação sob controle e reservas internacionais, o principal problema é o fiscal, que ele considera fácil de resolver.
Ele critica o aumento anual do salário mínimo atrelado à previdência pública, afirmando que o Brasil é o único lugar no mundo em que aposentados têm ganho de produtividade. Sobre o Bolsa Família, defende a importância do programa, mas critica o excesso de auxílio social, que estaria retirando pessoas do mercado de trabalho. Segundo ele, o ideal seria reduzir os programas e incentivar a busca por emprego, o que aumentaria a arrecadação de impostos e a dignidade das pessoas.
Via Brazil Journal






