Um novo relatório da The Lancet, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), revela dados alarmantes sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde global. O estudo, divulgado pouco antes da COP30 em Belém, destaca o aumento de mortes por ondas de calor, a poluição do ar e os efeitos devastadores das queimadas florestais. Entenda os principais pontos desse relatório e como eles podem influenciar as discussões sobre o clima.
Quais são os principais impactos das ondas de calor na saúde?
As ondas de calor estão se tornando cada vez mais letais. Desde a década de 1990, o número de mortes relacionadas ao calor aumentou 23%, resultando em uma média de 546 mil mortes por ano. Os mais vulneráveis são crianças menores de um ano e idosos com mais de 65 anos.
Em 2024, uma pessoa média enfrentou 16 dias de calor extremo, enquanto os grupos vulneráveis sofreram 20 dias de calor perigoso. Isso representa aumentos de 389% e 304%, respectivamente, em comparação com a média de 1986 a 2005.
Como o calor afeta a economia global?
O calor não afeta apenas a saúde, mas também a economia. A exposição ao calor causou a perda de 639 bilhões de horas de produtividade no trabalho em 2024, resultando em prejuízos de US$ 1,09 trilhão, quase 1% do PIB mundial.
Qual o impacto das queimadas florestais na saúde respiratória?
As queimadas florestais, impulsionadas pelo clima quente e seco, liberam partículas finas conhecidas como PM 2.5. Essas partículas, com um diâmetro 25 vezes menor que um fio de cabelo, são facilmente absorvidas pelos pulmões e entram na corrente sanguínea.
Em 2024, a inalação dessas partículas causou a morte de 154 mil pessoas, um aumento de 36% em relação à média de 2003 a 2012. A crescente frequência e intensidade das queimadas representam um grave risco à saúde pública.
Quantas mortes são causadas pela poluição do ar?
A poluição do ar, especialmente em países mais pobres, é responsável por um número alarmante de mortes. Mais de 2 bilhões de pessoas utilizam combustíveis poluentes em suas casas. Em 2022, a poluição atmosférica resultante do uso doméstico de combustíveis causou 2,3 milhões de mortes evitáveis em 65 países com baixo acesso a energia limpa.
No total, 2,5 milhões de mortes por ano são atribuídas à poluição atmosférica decorrente da queima de combustíveis fósseis. O acesso desigual a tecnologia e energia limpa agrava ainda mais a situação, tornando as populações mais vulneráveis dependentes de combustíveis nocivos. Em países pobres, apenas 3,5% da eletricidade provém de fontes renováveis, em comparação com 13,3% em países ricos. Além disso, 88% das residências em países pobres dependem de biomassa poluente para cozinhar e aquecer suas casas.
Por que os subsídios para combustíveis fósseis são um problema?
Apesar dos crescentes custos e impactos negativos, os governos continuam a investir pesadamente em combustíveis fósseis. Em 2023, foram gastos US$ 956 bilhões em subsídios para essa fonte de energia. Apenas 87 países são responsáveis por 93% das emissões globais de CO2, e 15 deles gastaram mais dinheiro em subsídios para combustíveis fósseis do que na saúde nacional. Irã, Líbia, Argélia, Venezuela e Uzbequistão chegaram a gastar o dobro de seus orçamentos de saúde em subsídios.
Marina Romanello, diretora executiva do relatório, destacou que a crescente acessibilidade da energia limpa e renovável oferece uma oportunidade de aumentar a geração de energia local, reduzir os malefícios à saúde dos combustíveis fósseis e redirecionar os subsídios para um futuro mais saudável. No entanto, os bancos privados continuam a investir na expansão dos combustíveis fósseis, com os 40 maiores credores do setor investindo US$ 611 bilhões em 2024, 29% a mais do que em 2023, excedendo em 15% os empréstimos concedidos ao setor verde.
Quais são os sinais positivos apontados no relatório?
Apesar dos dados preocupantes, o relatório destaca que as ações para mitigar as mudanças climáticas já apresentam resultados positivos. A redução do uso de carvão, especialmente em países ricos, evitou cerca de 160 mil mortes prematuras por ano entre 2010 e 2022. Paralelamente, a porcentagem de energia gerada por fontes renováveis modernas atingiu um valor recorde em 2022, chegando a 12%.
A transição energética também impulsiona a criação de empregos mais sustentáveis. Mundialmente, mais de 16 milhões de pessoas trabalharam diretamente ou indiretamente em energias renováveis em 2023, um aumento de 18,3% em relação a 2022. Este cenário demonstra que investir em energias limpas não só protege a saúde, mas também fortalece a economia. Veja mais sobre como a MP 1304 está reformulando o setor elétrico brasileiro.
Os dados apresentados no relatório reforçam a urgência de ações coordenadas e investimentos em soluções sustentáveis para proteger a saúde e o futuro do planeta. Afinal, mulher recupera a capacidade de leitura após implante de chip na retina, mas o que adianta isso se o ar estiver irrespirável? É preciso mais foco em IA na governança de identidade, Sabesp, e claro, na saúde do planeta!
Perguntas Frequentes sobre Saúde e mudanças climáticas
Quais são os principais impactos das mudanças climáticas na saúde?
As mudanças climáticas afetam a saúde através de ondas de calor, poluição do ar e queimadas florestais, resultando em um aumento de mortes e doenças respiratórias.
Como a poluição do ar contribui para o aumento de mortes?
A poluição do ar, especialmente em países pobres, causa milhões de mortes anualmente devido à queima de combustíveis poluentes para uso doméstico e industrial.
Quais são os benefícios de investir em energias renováveis?
Investir em energias renováveis reduz a poluição, previne mortes prematuras e cria empregos sustentáveis, além de fortalecer a economia global.
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