Plataformas de e-commerce estão adotando estratégias similares às do TikTok para impulsionar vendas. Essa nova abordagem combina vídeos curtos, feeds personalizados e algoritmos de recomendação, visando aumentar o engajamento e o tempo gasto pelos usuários nas plataformas de compras. Mas será que essa estratégia inspirada no modelo do TikTok realmente funciona?
Por que o modelo do TikTok atrai tanto os e-commerces?
O sucesso do TikTok reside na sua capacidade de manter os usuários engajados por longos períodos. Os vídeos curtos e o feed infinito, impulsionados por algoritmos de recomendação, criam uma experiência viciante. Essa fórmula chamou a atenção de diversas plataformas de e-commerce que buscam aumentar suas vendas e o tempo de permanência dos usuários em seus aplicativos.
Ao integrar vídeos curtos e feeds personalizados, os e-commerces esperam replicar o sucesso do TikTok, oferecendo uma experiência de compra mais envolvente e personalizada. Com isso, o usuário é exposto a um fluxo constante de produtos relevantes, aumentando as chances de compra por impulso.
Quais plataformas de e-commerce já aderiram a essa estratégia?
Diversas plataformas já implementaram ou estão testando essa estratégia, incluindo grandes nomes como Mercado Livre e Shopee, populares no Brasil. Outras plataformas que já utilizam essa estratégia são os aplicativos chineses Taobao, JD.com e Pinduoduo, o indiano Flipkart e o TikTok Shop.
O TikTok, inclusive, lançou sua própria plataforma de vendas, o TikTok Shop, onde os usuários podem comprar produtos diretamente dentro do aplicativo. Essa integração facilita a jornada de compra, eliminando a necessidade de sair do aplicativo para concluir a transação.
Como essa estratégia afeta o comportamento do consumidor?
Especialistas apontam que a estratégia utilizada nos e-commerces é similar à utilizada em jogos de azar, como caça-níqueis. O professor de ciência da computação na Universidade de Georgetown, Calvin Newport, afirma que os recursos são projetados para “sequestrar centros de motivação de curto prazo”, tornando as interrupções mais difíceis.
A preocupação é que as compras se tornem um consumo motivado pelo hábito, com os algoritmos ativando sistemas dopaminérgicos que criam o desejo e a urgência de continuar interagindo. No entanto, essa interação contínua pode não ser agradável ou satisfatória a longo prazo.
O que dizem os especialistas sobre o futuro dessa tendência?
Para Kent Berridge, professor de psicologia e neurociência na Universidade de Michigan, é possível que esses algoritmos sejam treinados para ativar sistemas dopaminérgicos mesolímbicos, criando o desejo de continuar interagindo.
Apesar do sucesso inicial de algumas plataformas, nem todas as iniciativas têm sido bem-sucedidas. Um exemplo é o Amazon Inspire, área de vídeos curtos para anúncios de produtos dentro da plataforma americana, que foi descontinuado após três anos.
Perguntas Frequentes sobre Modelo do TikTok
Por que e-commerces estão adotando o modelo do TikTok?
E-commerces estão adotando o modelo do TikTok para aumentar o engajamento dos usuários, impulsionar as vendas e aumentar o tempo de permanência nas plataformas, replicando a experiência viciante do TikTok.
Quais são as plataformas que utilizam o modelo do TikTok?
Mercado Livre e Shopee são algumas das plataformas que já aderiram a essa estratégia, além de aplicativos chineses como Taobao e TikTok Shop.
Quais os riscos dessa estratégia para o consumidor?
O principal risco é que as compras se tornem um hábito compulsivo, impulsionado por algoritmos que ativam sistemas de recompensa no cérebro, criando um ciclo vicioso de desejo e consumo.
Via Folha de S.Paulo






