E-commerces internacionais adotam modelo do TikTok para vender mais

E-commerces usam vídeos curtos e algoritmos do TikTok para aumentar vendas e engajamento dos usuários.
18/10/2025 às 13:02 | Atualizado há 10 meses
E-commerces internacionais adotam modelo do TikTok para vender mais

Plataformas de e-commerce estão adotando estratégias similares às do TikTok para impulsionar vendas. Essa nova abordagem combina vídeos curtos, feeds personalizados e algoritmos de recomendação, visando aumentar o engajamento e o tempo gasto pelos usuários nas plataformas de compras. Mas será que essa estratégia inspirada no modelo do TikTok realmente funciona?

Por que o modelo do TikTok atrai tanto os e-commerces?

O sucesso do TikTok reside na sua capacidade de manter os usuários engajados por longos períodos. Os vídeos curtos e o feed infinito, impulsionados por algoritmos de recomendação, criam uma experiência viciante. Essa fórmula chamou a atenção de diversas plataformas de e-commerce que buscam aumentar suas vendas e o tempo de permanência dos usuários em seus aplicativos.

Ao integrar vídeos curtos e feeds personalizados, os e-commerces esperam replicar o sucesso do TikTok, oferecendo uma experiência de compra mais envolvente e personalizada. Com isso, o usuário é exposto a um fluxo constante de produtos relevantes, aumentando as chances de compra por impulso.

Quais plataformas de e-commerce já aderiram a essa estratégia?

Diversas plataformas já implementaram ou estão testando essa estratégia, incluindo grandes nomes como Mercado Livre e Shopee, populares no Brasil. Outras plataformas que já utilizam essa estratégia são os aplicativos chineses Taobao, JD.com e Pinduoduo, o indiano Flipkart e o TikTok Shop.

O TikTok, inclusive, lançou sua própria plataforma de vendas, o TikTok Shop, onde os usuários podem comprar produtos diretamente dentro do aplicativo. Essa integração facilita a jornada de compra, eliminando a necessidade de sair do aplicativo para concluir a transação.

Como essa estratégia afeta o comportamento do consumidor?

Especialistas apontam que a estratégia utilizada nos e-commerces é similar à utilizada em jogos de azar, como caça-níqueis. O professor de ciência da computação na Universidade de Georgetown, Calvin Newport, afirma que os recursos são projetados para “sequestrar centros de motivação de curto prazo”, tornando as interrupções mais difíceis.

A preocupação é que as compras se tornem um consumo motivado pelo hábito, com os algoritmos ativando sistemas dopaminérgicos que criam o desejo e a urgência de continuar interagindo. No entanto, essa interação contínua pode não ser agradável ou satisfatória a longo prazo.

O que dizem os especialistas sobre o futuro dessa tendência?

Para Kent Berridge, professor de psicologia e neurociência na Universidade de Michigan, é possível que esses algoritmos sejam treinados para ativar sistemas dopaminérgicos mesolímbicos, criando o desejo de continuar interagindo.

Apesar do sucesso inicial de algumas plataformas, nem todas as iniciativas têm sido bem-sucedidas. Um exemplo é o Amazon Inspire, área de vídeos curtos para anúncios de produtos dentro da plataforma americana, que foi descontinuado após três anos.

Perguntas Frequentes sobre Modelo do TikTok

Por que e-commerces estão adotando o modelo do TikTok?

E-commerces estão adotando o modelo do TikTok para aumentar o engajamento dos usuários, impulsionar as vendas e aumentar o tempo de permanência nas plataformas, replicando a experiência viciante do TikTok.

Quais são as plataformas que utilizam o modelo do TikTok?

Mercado Livre e Shopee são algumas das plataformas que já aderiram a essa estratégia, além de aplicativos chineses como Taobao e TikTok Shop.

Quais os riscos dessa estratégia para o consumidor?

O principal risco é que as compras se tornem um hábito compulsivo, impulsionado por algoritmos que ativam sistemas de recompensa no cérebro, criando um ciclo vicioso de desejo e consumo.

Via Folha de S.Paulo

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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