Uma descoberta paleontológica surpreendente agitou o mundo da ciência: pesquisadores brasileiros encontraram um pterossauro dentro de vômito fossilizado. O réptil voador, que viveu há cerca de 110 milhões de anos, foi achado na Chapada do Araripe, região conhecida por seus fósseis incrivelmente preservados.
O fóssil, armazenado por décadas em um museu, revelou-se uma nova espécie com características únicas. Mas como esse animal foi parar em um “vômito de pedra”? E o que essa descoberta nos conta sobre o ecossistema daquela época?
Como um pterossauro foi parar em um vômito fossilizado?
A explicação mais plausível, de acordo com os paleontólogos, é que o pterossauro foi comido e regurgitado por um dinossauro de grande porte. A mistura de fragmentos do maxilar e da mandíbula com restos de peixes, todos juntos em um único bloco fossilizado, reforça essa hipótese.
O sufixo “-lito”, que significa “pedra”, é usado para designar tanto o “regurgitólito” (vômito fossilizado) quanto os “coprólitos” (fezes fossilizadas). As dimensões dos ossos sugerem que o predador poderia ser um espinossauro, dinossauro carnívoro que já habitava a região do Araripe.
Qual a importância da descoberta do Bakiribu waridza?
O Bakiribu waridza representa um dos tipos mais especializados de pterossauros já encontrados. Sua principal característica é a dentição peculiar, que se assemelha a um pente fino. Essa estrutura sugere que ele se alimentava filtrando pequenos invertebrados aquáticos, um comportamento semelhante ao dos flamingos atuais.
Essa é a primeira vez que um pterossauro com esse tipo de adaptação é encontrado no Brasil. A descoberta amplia nosso conhecimento sobre a diversidade de répteis voadores que habitavam o país durante a Era dos Dinossauros.
Onde o fóssil foi encontrado e para onde ele irá?
O fóssil do B. waridza foi encontrado na Chapada do Araripe, região que abrange partes do Ceará, Pernambuco e Piauí. Essa área é famosa por abrigar fósseis incrivelmente preservados da Era dos Dinossauros, incluindo tecidos moles como músculos, pele e até penas.
Após a análise e descrição formal, o fóssil será devolvido ao seu local de origem. Ele ficará em exposição no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado no município de Santana do Cariri, no Ceará.
Qual o significado do nome do novo pterossauro?
O novo pterossauro recebeu o nome científico de Bakiribu waridza. Trata-se de uma homenagem à cultura indígena local, já que “Bakiribu” significa “boca de pente” no idioma kariri.
O kariri pertence à família linguística macro-jê e é nativo da área onde o fóssil foi encontrado. Atualmente, a língua está em processo de revitalização, e a escolha do nome científico contribui para valorizar e preservar esse patrimônio cultural.
Perguntas Frequentes sobre Pterossauro dentro de vômito
Como os pesquisadores perceberam que o fóssil era um pterossauro?
O estudante de biologia William Bruno de Souza Almeida notou que o fóssil não se tratava de um peixe, como se acreditava inicialmente. Ele alertou sua orientadora, Aline Ghilardi, que coordenou a equipe na identificação do pterossauro.
Qual a semelhança entre o Bakiribu waridza e os flamingos?
Assim como os flamingos, o Bakiribu waridza possuía uma dentição especializada para filtrar pequenos organismos aquáticos. Acredita-se que ele “coava” a água com seus dentes finos, retendo os invertebrados que serviam de alimento.
Via Folha de S.Paulo






