Edvard Moser, ganhador do Nobel de Medicina em 2014, defende o investimento em ciência básica como alicerce para futuras inovações. Durante sua visita ao Brasil, o neurocientista norueguês destacou a importância de manter o financiamento contínuo em pesquisas de longo prazo, alertando para os prejuízos causados por interrupções e cortes.
Por que o investimento em ciência básica é tão importante, segundo Moser?
Para Moser, o investimento em ciência básica é crucial porque é a base para inovações e aplicações tecnológicas futuras. Ele enfatiza que grandes descobertas científicas levam anos e dependem de financiamento constante e planejamento a longo prazo. Cortes e interrupções no financiamento podem desmantelar programas de pesquisa, dispersar equipes qualificadas e desvalorizar o trabalho científico já realizado.
O neurocientista adverte que a pressão por resultados práticos imediatos pode prejudicar a pesquisa fundamental, essencial para o avanço do conhecimento e o desenvolvimento de novas tecnologias. A combinação de “sorte” e “saber vender o seu peixe” foi o que garantiu o financiamento do governo norueguês para a sua pesquisa.
Como a descoberta do “GPS cerebral” impactou a ciência?
A pesquisa de Moser e sua ex-esposa, May-Britt Moser, revelou um novo tipo de neurônio, as células de grade, localizadas no hipocampo. Essas células atuam como um “GPS cerebral”, indicando a posição espacial e temporal em humanos e outros mamíferos.
Essa descoberta abriu portas para entender melhor doenças como o Alzheimer. Em pacientes com Alzheimer, a área cerebral onde estão presentes estas células sofre deterioração, o que pode explicar a perda de memória e do sentido de espaço observados antes do desenvolvimento da doença. A pesquisa também pavimentou o caminho para o desenvolvimento de redes neurais para procurar padrões no cérebro.
Quais os conselhos de Moser para jovens cientistas?
Moser aconselha jovens cientistas a escolher uma área de estudo que os motive e os divirta. A paixão pela ciência aumenta as chances de sucesso na obtenção de bolsas e empregos. Ele também destaca a importância da curiosidade sobre o funcionamento das coisas como um motor para a carreira científica.
Além disso, o neurocientista enfatiza a necessidade de diversificar atividades para manter o cérebro saudável. Uma vida ativa, com diferentes tarefas e leituras complexas, fortalece as conexões entre as células cerebrais, protegendo contra doenças neurodegenerativas.
Como manter a saúde cerebral em dia?
Para manter a saúde cerebral, Moser recomenda o enriquecimento e a diversificação de atividades. Uma pessoa ativa, que realiza diferentes tarefas, tende a ter um cérebro mais robusto e protegido contra doenças neurodegenerativas.
Ele sugere equilibrar atividades como navegar nas redes sociais com a leitura de textos complexos, estimulando o cérebro por períodos prolongados. A chave é evitar a rotina e buscar constantemente novos desafios e aprendizados. Para aqueles que desejam seguir uma carreira na ciência, é importante escolher a área que se adapta a você. A ciência deve ser divertida, deve ser uma felicidade. Isto aumenta as chances de você ter sucesso em obter uma bolsa e eventualmente encontrar um emprego.
Via Folha de S.Paulo






