Emissões globais de gás carbônico devem crescer 1,1% em 2025, alerta estudo

Emissões globais de CO2 aumentam 1,1% em 2025, ameaçando metas climáticas do Acordo de Paris.
15/11/2025 às 19:37 | Atualizado há 9 meses
Emissões globais de gás carbônico devem crescer 1,1% em 2025, alerta estudo

As emissões de gás carbônico globais devem aumentar 1,1% em 2025, atingindo um patamar preocupante de 38,1 bilhões de toneladas. A projeção, realizada por pesquisadores do Global Carbon Project da Universidade de Exeter, indica que, no ritmo atual, o mundo ultrapassará o limite estabelecido pelo Acordo de Paris em apenas quatro anos. O relatório foi apresentado durante a COP30, em Belém, e alerta para a urgência de ações mais efetivas.

Qual a principal conclusão do relatório sobre emissões de carbono?

O estudo Global Carbon Budget 2025, que contou com a colaboração de 130 cientistas, aponta que as emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis continuarão a crescer. A estimativa é de um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior, mantendo o mesmo ritmo de crescimento observado entre 2023 e 2024.

Essa trajetória coloca em risco o cumprimento das metas do Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. O “saldo” de carbono disponível, ou seja, a quantidade de CO2 que ainda podemos emitir sem ultrapassar esse limite, é de apenas 170 bilhões de toneladas. Caso o ritmo atual se mantenha, esse saldo será consumido em pouco mais de quatro anos.

O que significa o “saldo de carbono” e como ele está sendo afetado?

O saldo de carbono representa a quantidade de dióxido de carbono que a atmosfera pode absorver sem comprometer as metas climáticas globais. Esse saldo é dividido em duas categorias principais: emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis e emissões resultantes de mudanças no uso da terra.

É importante lembrar que a vegetação desempenha um papel crucial na captura de dióxido de carbono da atmosfera. O desmatamento, por sua vez, elimina essas fontes de absorção e armazenamento de carbono, contribuindo para o aumento da concentração de CO2. Além da vegetação terrestre, o fitoplâncton dos oceanos também desempenha um papel importante na captura de carbono. Agrotóxicos são detectados na chuva e preocupam por riscos à saúde, mostrando a importância de proteger os “ralos naturais” de carbono.

Quais países são os maiores responsáveis pelas emissões globais?

Apenas três países são responsáveis por metade das emissões de gás carbônico em todo o mundo. A China lidera o ranking, contribuindo com 32% das emissões globais, seguida pelos Estados Unidos (13%) e pela Índia (8%).

Em 2025, todos esses países apresentaram aumento nas emissões, mas em taxas diferentes. Os Estados Unidos registraram o maior crescimento, com um aumento de 1,9%, possivelmente devido ao inverno rigoroso no início do ano, que elevou a demanda por gás para aquecimento. Índia e China apresentaram taxas de crescimento mais modestas, de 1,4% e 0,4%, respectivamente, o que pode ser atribuído ao aumento do uso de energias renováveis, especialmente a solar.

Como o Japão se destaca no cenário global de emissões?

O Japão, responsável por 2,5% das emissões globais, apresenta uma tendência diferente dos demais países. Em 2025, o país deve reduzir suas emissões em 2,2%, o que pode ser explicado por três fatores principais: reativação de usinas de energia nuclear, expansão da energia solar e crescimento lento da economia. Índices sustentáveis e ETFs superam o Ibovespa neste ano, refletindo uma crescente preocupação com práticas mais limpas.

Qual a tendência geral das emissões globais de carbono?

Apesar do aumento contínuo das emissões provenientes de combustíveis fósseis, os pesquisadores observam que o ritmo de crescimento tem diminuído em comparação com a década anterior. Entre 2015 e 2025, o aumento médio das emissões foi de 0,8% ao ano, enquanto entre 2005 e 2015, esse aumento foi de 2% ao ano.

Além disso, as emissões decorrentes de mudanças no uso da terra apresentaram uma diminuição em 2025. Essa fonte emitiu 4,1 bilhões de toneladas de CO2 este ano, em comparação com 5 milhões de toneladas anuais na última década. “Houve um auge nos anos 1990, e desde então há uma tendência de diminuição das emissões”, explica Thaís Rosan, da Universidade de Exeter.

O que a nova pesquisa na Nature revela sobre os “ralos naturais” de CO2?

Uma nova pesquisa publicada no periódico Nature, que acompanha o relatório do Global Carbon Project, examina o impacto das mudanças climáticas nos “ralos naturais” de CO2, ou seja, na capacidade da vegetação terrestre e da biodiversidade marinha de absorver o dióxido de carbono emitido pela humanidade.

O estudo conclui que 8% do aumento na concentração de CO2 na atmosfera desde 1960 se deve ao enfraquecimento na capacidade de absorção desses “ralos naturais”. Esse resultado reforça a importância de proteger e restaurar ecossistemas naturais, como florestas e oceanos, para mitigar as mudanças climáticas. O BID anuncia R$ 32 bilhões em medidas para fortalecer investimentos sustentáveis na COP30, buscando reverter esse quadro.

Perguntas Frequentes sobre Emissões de gás carbônico

Qual o principal motivo para o aumento das emissões de gás carbônico em 2025?

O aumento das emissões em 2025 está relacionado à queima de combustíveis fósseis, com um crescimento de 1,1% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelo aumento no consumo de energia em países como Estados Unidos, China e Índia.

Qual o impacto do desmatamento nas emissões de gás carbônico?

O desmatamento contribui para o aumento das emissões ao eliminar a vegetação, que é responsável por absorver o dióxido de carbono da atmosfera. A redução do desmatamento é crucial para mitigar as mudanças climáticas.

Via Super

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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