A influência crescente da inteligência artificial e a hesitação humana no Brasil

Entenda como a inteligência artificial transforma decisões e a cultura no Brasil, enquanto o pensamento humano enfrenta desafios.
29/10/2025 às 19:26 | Atualizado há 9 meses
A influência crescente da inteligência artificial e a hesitação humana no Brasil

Você já parou para pensar em como a inteligência artificial (IA) está influenciando suas decisões? Uma pesquisa recente revelou que 37% dos brasileiros já foram impactados por ferramentas de IA na hora de comprar algo. E não para por aí: 60% das pessoas veem a tecnologia de forma positiva e 63% já usaram plataformas como ChatGPT, Gemini ou Copilot. Mas será que estamos realmente no controle?

Como a inteligência artificial está mudando a forma como tomamos decisões?

Os números mostram que o Brasil está passando por uma transformação digital. No entanto, por trás dos dados, existe uma mudança cultural significativa. Estamos transferindo para as máquinas o papel de mediadoras culturais, o que pode ter um impacto profundo em nossas escolhas e percepções.

Uma empresa de comunicação lançou uma solução que promete “mapear a presença de marcas nas respostas dadas por IAs generativas” e criar “planos de ação para torná-las a resposta preferencial”. Em outras palavras, essa ferramenta oferece a capacidade de influenciar o que acreditamos ser neutro e verdadeiro. Isso marca uma mudança importante: a influência se torna invisível, parte do nosso tecido cognitivo coletivo.

Qual o impacto dessa “infraestrutura cultural” invisível?

A disputa não é mais por espaço no Google, mas pelo significado das respostas e pelo lugar da “verdade”. A publicidade, que antes era uma forma de persuasão explícita, está se dissolvendo em sistemas que moldam nossas crenças sem que percebamos. É a transformação da influência em infraestrutura cultural, um poder que não precisa se anunciar porque está embutido naquilo que chamamos de “inteligência”.

Por trás do discurso de “gestão reputacional”, o que se oferece é a capacidade de interferir silenciosamente na formação das percepções humanas. É uma nova forma de publicidade, escondida sob a aparência de verdade. A inteligência artificial responde com autoridade, sem fontes ou contrapontos, e o usuário, muitas vezes, acredita sem questionar. Essa manipulação não aparece na tela, mas está no código, na curadoria do vocabulário e na hierarquia das ideias.

Como essa mudança afeta o ecossistema da crença?

Essa transformação representa uma mutação no ecossistema da crença. A publicidade, antes um discurso de persuasão, se transforma em um rito invisível de legitimação, uma forma de poder simbólico que opera sem que percebamos. Não vendemos mais produtos, vendemos narrativas. E assim, o que antes era propaganda hoje se confunde com verdade. O mercado global de inteligência artificial está crescendo cada vez mais.

Desde que o homem aprendeu a descrever o mundo, aprendeu também a moldá-lo a seu favor. Sempre houve quem soubesse se aproveitar da linguagem – e agora, da influência da inteligência artificial – como uma oportunidade de moldar narrativas, distorcer fatos e fabricar verdades convenientes. Se hoje esse poder é usado para influenciar o consumo, amanhã poderá ser usado para algo ainda mais perigoso: influenciar consciências.

Quais os perigos da manipulação personalizada pela IA?

Imagine campanhas políticas em que candidatos não precisam mais convencer ninguém. Bastará treinar modelos de linguagem para que respondam de forma “favorável” sempre que alguém perguntar por que votar neles. A manipulação deixará de ser pública e passará a ser íntima, direcionada e invisível. O poder simbólico deixará de ser disputado nas praças, nas telas ou nas urnas, e passará a habitar o diálogo silencioso entre o indivíduo e a máquina.

A propaganda tradicional tenta chamar atenção; a propaganda algorítmica aprende a se disfarçar de verdade. E, pior, é personalizada. Molda-se à forma como cada um pensa, fala e acredita. Cada indivíduo passa a habitar um microssomo narrativo, feito sob medida, onde a IA parece imparcial, mas fala com a voz de quem a programou e com a entonação que cada um deseja ouvir. É preciso estar atento a ciberataques.

Terceirizamos o pensamento?

A humanidade terceirizou o pensamento muito antes da inteligência artificial: primeiro para a TV, para as novelas, depois para o Google, agora para o feed do Instagram. As ‘liquidações’ nunca foram liquidações, as notícias nunca foram neutras, e a maioria das opiniões é apenas uma curadoria emocional: escolhemos quem pensar por nós, desde que não nos exija o esforço de refletir. A inteligência artificial é só a mais recente de uma longa linhagem de intermediários da consciência, uma forma sofisticada de preservar o velho hábito de evitar o peso de escolher.

Ainda assim, pode haver exceções. Talvez uma minoria se importe genuinamente com o pensamento crítico o bastante para questionar, comparar e duvidar. Sempre haverá quem use a tecnologia para manipular, explorar ou enganar. Mas se abrirmos mão do pensamento crítico, não podemos culpar a máquina. A responsabilidade e o erro continuarão sendo nossos. É importante que as empresas fortaleçam a governança de identidade.

Perguntas Frequentes sobre Influência da Inteligência Artificial

Como a inteligência artificial influencia as decisões de compra dos brasileiros?

Uma pesquisa recente revelou que 37% dos brasileiros já tomaram decisões de compra influenciadas por ferramentas de inteligência artificial, demonstrando o crescente impacto da IA no comportamento do consumidor no Brasil.

De que forma a publicidade está se adaptando à era da inteligência artificial?

A publicidade está evoluindo para se integrar aos sistemas de IA, moldando crenças de maneira sutil e muitas vezes imperceptível, transformando a persuasão explícita em uma influência invisível embutida na “inteligência” das máquinas.

Via Brazil Journal

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
Jornalbits.com.br - Todos os direitos reservados