O mundo digital se tornou um campo de batalha constante. Um novo relatório da NTT Data revela que os ataques de cibersegurança estão crescendo em frequência e complexidade, afetando governos, empresas e cidadãos globalmente. As perdas decorrentes dessas invasões atingem cifras alarmantes, com interrupções de negócios, investimentos em segurança e pagamentos de resgates somando trilhões de dólares.
Quais são os custos dos ataques cibernéticos para as empresas?
Os impactos financeiros dos ataques cibernéticos são devastadores. As interrupções nos negócios lideram as perdas, com um prejuízo estimado em US$ 13,2 trilhões. Para se protegerem, as empresas investem pesado em cibersegurança, gastando cerca de US$ 10,8 trilhões em medidas reativas e proativas. A situação é ainda mais grave quando consideramos os pagamentos diretos de resgates a grupos de ransomware, que totalizaram US$ 6,3 trilhões. As sanções econômicas e legais impostas por violações de dados ultrapassam os US$ 7,14 trilhões.
A crescente sofisticação dos ataques exige que as empresas estejam sempre um passo à frente, investindo em tecnologias de ponta e em profissionais qualificados para proteger seus dados e sistemas. A prevenção, o monitoramento constante e a rápida resposta a incidentes são cruciais para minimizar os danos e garantir a continuidade dos negócios.
Quais setores são os mais visados pelos criminosos virtuais?
O setor público continua sendo o principal alvo dos cibercriminosos, registrando 3.784 ataques no primeiro semestre de 2025, um aumento de 41,3% em relação ao período anterior. As instituições de ensino, apesar de uma redução de 23% nos incidentes, ainda figuram entre os alvos preferenciais, com 1.110 casos. Os serviços financeiros, impulsionados pela expansão digital, também sofrem com a crescente onda de ataques, contabilizando 835 incidentes, um aumento de 26,9% em relação a 2024. As áreas de tecnologia da informação e telecomunicações também permanecem altamente vulneráveis, com 739 e 652 ataques, respectivamente.
A administração pública, por lidar com informações confidenciais de cidadãos e infraestruturas críticas, atrai constantemente a atenção de hackers. Já o setor financeiro, por movimentar grandes quantias de dinheiro e dados bancários, é um alvo lucrativo para os criminosos. A proteção desses setores é fundamental para garantir a segurança e a estabilidade da sociedade como um todo.
Onde os ataques cibernéticos são mais frequentes?
Os Estados Unidos lideram o ranking dos países mais afetados, com 4.046 ataques, um aumento de 35,6% em relação ao ano anterior. Israel registrou 1.637 incidentes, impulsionados pelos conflitos regionais, enquanto a Índia contabilizou 1.644 ataques, uma queda de quase 21% em comparação com o semestre anterior. França (921) e Ucrânia (768) completam a lista dos países mais impactados, esta última com uma redução de 36% frente ao mesmo período.
A concentração de ataques em determinados países pode estar relacionada a diversos fatores, como o nível de digitalização da economia, a estabilidade política e a presença de grupos de hackers organizados. A cooperação internacional e o compartilhamento de informações são essenciais para combater o cibercrime em escala global.
Quais são as principais táticas e ameaças utilizadas pelos cibercriminosos?
O ransomware continua sendo a principal arma dos criminosos virtuais, com um aumento de 32% em relação ao semestre anterior e mais de 1.200 incidentes atribuídos a grupos como Akira, Cl0p e RansomHub. As campanhas de phishing e vishing, impulsionadas pela inteligência artificial, também representam uma crescente ameaça, com fraudes digitais cada vez mais realistas, utilizando clonagem de voz, identidades falsas e automação de ataques. Além disso, foram registradas mais de 1.000 violações de dados, uma sofisticação crescente dos ataques DDoS e o surgimento de 7.664 novas vulnerabilidades, das quais 285 foram classificadas como críticas e 105 já estavam sendo exploradas ativamente.
A inteligência artificial está sendo utilizada tanto para o bem, na defesa contra ataques, quanto para o mal, na criação de golpes mais sofisticados e personalizados. A constante evolução das táticas e técnicas dos cibercriminosos exige que as empresas e os governos invistam em soluções de segurança inovadoras e adaptáveis.
Como a descentralização do mercado clandestino impacta o cibercrime?
O fechamento do BreachForums, um dos maiores fóruns de dados roubados da dark web, provocou uma descentralização do mercado clandestino e impulsionou o modelo crime-as-a-service. Esse modelo facilita o acesso a ataques sofisticados por meio de plataformas com suporte técnico e segmentação geográfica, permitindo que até agentes inexperientes executem ofensivas complexas, ampliando os riscos para organizações e governos em todo o mundo.
A “democratização” do cibercrime torna a detecção e a prevenção de ataques ainda mais desafiadoras, exigindo uma abordagem proativa e colaborativa entre empresas, governos e especialistas em segurança. É fundamental investir em educação e conscientização sobre os riscos cibernéticos, capacitando os usuários a identificar e evitar golpes.
Como se proteger dos crescentes ataques de cibersegurança?
A diretora de cibersegurança da NTT DATA, Carla Passos Schwarzer, destaca que a proteção reativa não é mais suficiente. É preciso adotar inteligência proativa, colaboração internacional e fomentar uma cultura de cibersegurança institucionalizada. As empresas devem investir em soluções de segurança que utilizem inteligência artificial para detectar e responder a ameaças em tempo real, além de promover a conscientização de seus funcionários sobre os riscos cibernéticos.
A Convenção da ONU contra crime cibernético é aberta para adesão global, no cenário brasileiro, a NR-1 torna obrigatório o monitoramento de riscos psicossociais nas empresas brasileiras, aumentando o nível de segurança e proteção.
Via TI Inside






