<p>Um estudo recente revelou que as <b>redes sociais vasculham dados</b> pessoais de usuários, mas poucas informam quais dados são coletados de pessoas que não estão cadastradas. A pesquisa, conduzida pelo Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV no Rio de Janeiro, avaliou 17 plataformas populares no Brasil e identificou que apenas LinkedIn e TikTok respondem sobre a mineração de dados de não usuários.</p>
<h2>Quais redes sociais admitem coletar dados de quem não é usuário?</h2>
<p>O levantamento do CTS testou as redes sociais e aplicativos de mensagens mais utilizados no país, buscando entender quais informações pessoais eram obtidas através da mineração de dados. Surpreendentemente, apenas o LinkedIn e o <i>TikTok</i> foram transparentes em relação a quais dados de não usuários eram coletados.</p>
<p>Em contrapartida, gigantes como <i>Instagram</i>, <i>Facebook</i>, <i>Threads</i>, <i>Reddit</i>, X (antigo <i>Twitter</i>) e <i>YouTube</i> se omitiram em fornecer essas informações. Essa falta de transparência levanta questões sobre a privacidade e o controle dos dados pessoais dos cidadãos brasileiros.</p>
<h2>Por que a coleta de dados de não usuários é uma preocupação?</h2>
<p>A preocupação com o uso de informações de pessoas não cadastradas nas plataformas ganhou destaque após a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) questionar a <i>Meta</i> sobre o uso de conteúdos públicos para treinar modelos de inteligência artificial. A ausência de informações claras sobre como esses dados são coletados e utilizados gera incertezas sobre a privacidade dos indivíduos.</p>
<p>A <i>Meta</i>, em resposta, implementou um formulário para que não usuários pudessem solicitar a exclusão de seus dados dos modelos de IA. No entanto, Luca Belli, professor da FGV Direito, argumenta que a empresa ainda não cumpre integralmente a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que garante aos titulares o direito de saber como e para qual finalidade suas informações são utilizadas.</p>
<h2>Quais os riscos da mineração de dados sem tratamento adequado?</h2>
<p>A ausência de etapas de pré-tratamento adequadas para a eliminação ou anonimização de dados pessoais pode levar a riscos significativos, especialmente quando se trata de dados sensíveis ou de crianças e adolescentes. O tratamento indevido dessas informações pode resultar em discriminação, vigilância excessiva e outras violações de privacidade.</p>
<p>Grupos de influência ligados às empresas de tecnologia argumentam que o Brasil já possui uma das leis mais restritivas do mundo em relação à mineração de dados, o que, segundo eles, pode inibir a inovação. No entanto, a falta de clareza na aplicação da lei gera insegurança jurídica para as empresas do setor.</p>
<h2>Como as redes sociais se adequam à LGPD?</h2>
<p>O relatório "Redes Sociais e LGPD", do CTS, avaliou a adequação das redes sociais à legislação brasileira sob 16 critérios objetivos. Nenhuma das 17 plataformas avaliadas obteve nota máxima, indicando que ainda há espaço para melhorias na forma como os dados são tratados.</p>
<p>Entre maio e julho de 2024, a pesquisa constatou que nenhuma plataforma identificava o encarregado de dados, responsável por responder aos usuários e às demandas judiciais. Após o levantamento, algumas empresas, como <i>Meta</i>, X, <i>Telegram</i> e <i>YouTube</i>, atualizaram suas políticas para incluir essa informação.</p>
<p>Outra inadequação comum foi a falta de indicação do uso de decisões automatizadas, um conceito da LGPD que se refere a escolhas baseadas em algoritmos sem intervenção humana. Apenas <i>LinkedIn</i> e <i>Telegram</i> foram considerados adequados nesse quesito.</p>
<h2>Qual rede social teve o pior desempenho na avaliação da FGV?</h2>
<p>O pior desempenho foi o da plataforma <i>Signal</i>, aplicativo de mensagens que preza pelo armazenamento mínimo de dados de forma criptografada. A entidade responsável pelo aplicativo não respondeu aos pesquisadores, o que dificultou a avaliação de sua conformidade com a LGPD.</p>
<p>"A política de privacidade do <i>Signal</i> é incrivelmente minimalista e distante dos padrões cobrados pela lei brasileira", afirmou Belli. "Como eles dizem não armazenar nenhum dado, parece que se sentem desobrigados a respeitar a lei."</p>
<h2>Quais as surpresas positivas do estudo?</h2>
<p>Apesar das falhas gerais, a <i>Meta</i> obteve a melhor avaliação entre as plataformas, com 12,5 dos 16 pontos possíveis. Segundo o responsável pela pesquisa, as empresas maiores têm uma vantagem na implementação de medidas de conformidade devido aos custos envolvidos.</p>
<p>O bot de <i>Telegram</i> LGPDBot, que informa aos usuários quais dados o aplicativo acessou, foi citado como uma surpresa positiva. A política de privacidade do X (antigo <i>Twitter</i>) também foi elogiada por sua clareza e organização, com tabelas e diagramas explicativos sobre o uso de dados.</p>
<h2>Perguntas Frequentes sobre Redes Sociais Vasculham Dados</h2>
<h3>Quais redes sociais foram avaliadas no estudo sobre coleta de dados?</h3>
<p>O estudo avaliou 17 plataformas populares no Brasil, incluindo redes sociais como <i>Facebook</i>, <i>Instagram</i>, X (antigo <i>Twitter</i>), <i>TikTok</i> e aplicativos de mensagens como <i>Telegram</i> e <i>Signal</i>.</p>
<h3>Quais dados as redes sociais coletam de não usuários?</h3>
<p>Apenas <i>LinkedIn</i> e <i>TikTok</i> informaram quais dados coletam de pessoas que não estão cadastradas em suas plataformas. As demais redes sociais se recusaram a fornecer essas informações, levantando preocupações sobre a privacidade dos usuários.</p>
<h3>Por que a ANPD se preocupa com a coleta de dados de não usuários?</h3>
<p>A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) questionou a <i>Meta</i> sobre o uso de conteúdos públicos para treinar modelos de inteligência artificial, demonstrando preocupação com a falta de transparência e o possível uso indevido de dados de pessoas que não consentiram com a coleta.</p>
<i>Via <a href="https://redir.folha.com.br/redir/online/tec/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tec/2025/10/redes-sociais-vasculham-dados-pessoais-so-linkedin-e-tiktok-dizem-quais-mostra-pesquisa.shtml" rel="nofollow">Folha de S.Paulo</a></i>
Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.






