A Starboard Capital Group, uma gestora de investimentos, propôs uma reestruturação financeira para a Oncoclínicas, oferecendo converter R$ 1,7 bilhão em dívida em participação acionária (equity) e injetar mais R$ 800 milhões na empresa. Essa proposta surge após a Oncoclínicas anunciar um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, considerado insuficiente pela Starboard para resolver os problemas financeiros da companhia.
Por que a Starboard propôs essa reestruturação para a Oncoclínicas?
A Starboard avalia que a Oncoclínicas precisa de, no mínimo, R$ 2,5 bilhões para estabilizar sua estrutura de capital. A gestora acredita que a alavancagem da empresa é maior do que a divulgada em balanço. No segundo trimestre, a Oncoclínicas reportou uma dívida líquida de R$ 4 bilhões, com uma alavancagem de 4,4 vezes o Ebitda. No entanto, a Starboard ajustou esse Ebitda para baixo, excluindo vendas de hospitais e outras questões não operacionais, elevando a alavancagem para mais de 7 vezes.
Além disso, a Starboard identificou que uma parte significativa do caixa da Oncoclínicas, entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, estaria alocada em CDBs do Banco Master, o que limitaria o uso desses recursos para o pagamento de dívidas. A gestora concluiu que a Oncoclínicas necessita de uma solução que resolva a questão da alavancagem de forma significativa.
Como funcionaria a proposta de “rescue recapitalization” da Starboard?
A proposta envolve duas etapas principais. Inicialmente, a Starboard propõe comprar R$ 1,7 bilhão em debêntures da Oncoclínicas no mercado, com um desconto (haircut) de 50%, e converter esses títulos em participação acionária (equity). A Starboard receberia dois bônus de subscrição para cada ação convertida.
Em seguida, a gestora propõe um aumento de capital de R$ 800 milhões, no qual a Starboard investiria R$ 200 milhões, e os demais acionistas seriam responsáveis pelo restante. Este aumento de capital também daria direito a bônus de subscrição, na proporção de três para um.
Qual seria o resultado final dessa operação para a Starboard e para a Oncoclínicas?
Ao final da operação, a Starboard espera deter pelo menos 40% do capital da Oncoclínicas e ter uma representação proporcional no conselho de administração. Além disso, a Starboard propõe a saída do CEO Bruno Ferrari, que permaneceria no conselho, e a criação de um novo cargo, o de chief restructuring officer (CRO), que seria indicado pela gestora e trabalharia em conjunto com o CFO Cristiano Camargo.
Apesar dos desafios financeiros, a Starboard acredita que a Oncoclínicas possui um bom core business, gerando economias para os planos de saúde nos tratamentos de câncer e contando com excelentes médicos. A gestora avalia que os investimentos em hospitais e as altas despesas administrativas (SG&A) foram os principais erros da companhia. Com a injeção de capital e a saída dos hospitais, a Starboard projeta que a empresa se tornaria mais saudável, com uma alavancagem de 2,5 vezes.
Quem são os principais acionistas da Oncoclínicas atualmente?
Os maiores acionistas da Oncoclínicas hoje são o Centaurus, um fundo americano que co-investe com o Goldman Sachs e detém 37% do capital; o Banco Master, com 15%; a Latache, com 14%; e o CEO Bruno Ferrari, com 8%. O conselho da Oncoclínicas agora precisa avaliar a proposta da Starboard e dar uma resposta.
A Investir na Oncoclínicas pode ser uma boa alternativa, pois a ação da Oncoclínicas acumula uma queda de 46% nos últimos 12 meses, embora tenha subido 8,4% nos últimos cinco dias. A empresa está avaliada em R$ 2,1 bilhões na Bolsa. Para ficar por dentro das principais notícias do mercado financeiro, não deixe de conferir como a Aegea assume concessão de saneamento no Pará antes da COP 30.
Como a Oncoclínicas chegou a essa situação financeira?
A Starboard acredita que a Oncoclínicas se endividou excessivamente ao investir em hospitais, desviando o foco de seu core business, que é o tratamento de câncer. Além disso, a gestora aponta que as despesas administrativas da empresa são muito altas em comparação com seus concorrentes (peers). A proposta da Starboard visa corrigir esses problemas, recapitalizando a empresa e permitindo que ela se concentre em suas atividades principais.
Em meio a esse cenário, o CEO do JPMorgan alerta para cenário econômico incerto nos EUA, o que pode impactar diretamente nas decisões de investimentos. Para quem busca alternativas de investimentos, confira nosso artigo sobre IPO da Klarna, fintech sueca do parcelamento sem juros, movimenta mercado nos EUA.
Qual o impacto da proposta da Starboard no mercado?
A proposta da Starboard pode ser vista como um voto de confiança no potencial da Oncoclínicas, desde que a empresa consiga resolver seus problemas financeiros e focar em seu core business. A injeção de capital e a reestruturação proposta pela Starboard poderiam impulsionar o crescimento da Oncoclínicas e gerar valor para os acionistas. No entanto, a proposta ainda precisa ser avaliada e aprovada pelo conselho da empresa, o que pode levar a negociações e ajustes.
Perguntas Frequentes sobre Investir na Oncoclínicas
Por que a Starboard quer investir na Oncoclínicas?
A Starboard acredita que a Oncoclínicas tem um bom negócio principal (tratamento de câncer), mas precisa de uma injeção de capital para resolver problemas de dívida e alavancagem.
Qual é a proposta da Starboard para a Oncoclínicas?
A Starboard propõe converter R$ 1,7 bilhão em dívida em ações e investir mais R$ 800 milhões na empresa, em troca de uma participação de pelo menos 40% e mudanças na gestão.
Quem são os principais acionistas da Oncoclínicas?
Os principais acionistas são Centaurus (37%), Banco Master (15%), Latache (14%) e o CEO Bruno Ferrari (8%).
Qual o próximo passo para a Oncoclínicas?
O conselho da Oncoclínicas precisa avaliar a proposta da Starboard e decidir se aceita ou não.
Via Brazil Journal






