Queda nos criptoativos ultrapassa US$ 1,2 trilhão em perdas globais

Mercado global de criptoativos enfrenta perda de mais de US$ 1,2 trilhão após queda significativa do Bitcoin.
19/11/2025 às 07:37 | Atualizado há 8 meses
Queda nos criptoativos ultrapassa US$ 1,2 trilhão em perdas globais

O ano de 2024 prometia ser um marco para o mundo das criptomoedas. No entanto, o Bitcoin, que lidera esse mercado, teve uma reviravolta nas últimas semanas. A moeda digital, que era vista como um dos ativos mais promissores, agora enfrenta dificuldades para se manter estável. Essa mudança repentina levanta questões sobre o futuro das criptomoedas e os fatores que influenciam sua volatilidade.

Por que o Bitcoin despencou nas últimas semanas?

Desde o pico de valorização em 6 de outubro, quando ultrapassou os US$ 126 mil, o Bitcoin sofreu uma queda de quase 30%. Essa desvalorização fez com que a moeda ficasse abaixo de US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses. No acumulado do ano, o Bitcoin mal se mantém no positivo, registrando um aumento de apenas 0,3%, um contraste com a alta de mais de 30% antes da virada.

Outras criptomoedas, como o ether, também sentiram o impacto, com quedas de aproximadamente 30% desde o início de outubro. A perda total no valor de mercado do Bitcoin e de outras moedas digitais ultrapassou US$ 1,2 trilhão, representando uma retração de 25% desde o pico.

Quais fatores contribuíram para essa correção no mercado cripto?

Analistas apontam para uma combinação de fatores, incluindo a realização de lucros por parte de investidores, incertezas no cenário macroeconômico e a liquidação de posições alavancadas. A correção coincidiu com um movimento global de aversão ao risco, que também afetou ações de empresas de tecnologia.

Um dos gatilhos recentes foi a mudança nas expectativas em relação à redução de juros nos Estados Unidos. As apostas de que o Federal Reserve (Fed) cortaria a taxa de juros na reunião de dezembro diminuíram significativamente, impactando o mercado de criptomoedas.

Como a alavancagem influenciou a queda do Bitcoin?

Segundo Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, o acúmulo de alavancagem próximo ao topo foi um fator crucial. O choque macro desencadeou uma liquidação em cadeia, com bilhões de dólares em posições compradas sendo zeradas. Esse efeito resultou na ruptura de níveis técnicos importantes, dificultando uma recuperação rápida.

A especialista destaca que a retomada de uma tendência de alta no curto prazo dependerá de um alívio na percepção do mercado em relação às taxas de juros e à liquidez global. A turbulência no mercado de criptomoedas exige cautela e análise criteriosa por parte dos investidores.

O que os dados da blockchain revelam sobre o Bitcoin?

Theodoro Fleury, CIO da QR Capital, observou que a análise dos registros na blockchain já indicava uma queda na atividade interna da rede do Bitcoin. A valorização anterior estava sendo impulsionada pelo fluxo nos ETFs, com maior exposição de investidores de varejo e institucionais, além das compras de empresas como a Strategy.

Fleury explica que as compras dessas empresas sustentavam o preço do Bitcoin, mas para continuarem emitindo ações e adquirindo mais moedas, elas precisam que suas empresas sejam avaliadas a um múltiplo superior a 1 em relação ao estoque de Bitcoin que possuem em tesouraria. Muitas dessas empresas se aproximaram ou ficaram abaixo desse patamar, interrompendo o fluxo de compra.

Qual o impacto da queda do Bitcoin nas ações de empresas ligadas à criptomoeda?

O impacto da queda do Bitcoin não se limitou ao mercado de criptomoedas. As ações das bitcoin treasuries companies também sofreram um duro golpe. A Strategy, empresa de Michael Saylor, teve uma desvalorização de 47% desde sua máxima em julho. No Brasil, a OranjeBTC despencou 52% desde sua estreia na B3 em 7 de outubro, enquanto a Méliuz perdeu mais de 60% de seu valor desde maio.

Essa correlação demonstra a interdependência entre o mercado de criptomoedas e as empresas que investem em Bitcoin, evidenciando os riscos associados a essa classe de ativos.

Como o halving do Bitcoin influencia seu ciclo de preços?

Um fator intrínseco à dinâmica do Bitcoin é o halving, um evento que ocorre a cada quatro anos e reduz pela metade a recompensa paga aos mineradores por cada bloco adicionado à blockchain. Historicamente, após o halving, o Bitcoin tende a passar por um ciclo de alta, seguido por uma fase de correção.

O último halving ocorreu em abril de 2024, e o próximo está previsto para abril de 2028. Essa característica cíclica do Bitcoin é importante para investidores que buscam entender os movimentos de preço da criptomoeda e planejar suas estratégias de investimento.

Qual a perspectiva de longo prazo para o Bitcoin?

Apesar da recente correção, Theodoro Fleury, da QR Capital, acredita que questões estruturais da economia global podem impulsionar a adoção do Bitcoin no futuro. Ele ressalta que, no curto prazo, não seria surpreendente se o Bitcoin continuasse a cair, mas que essa pode ser uma oportunidade para investidores com visão de longo prazo.

Para quem pensa em investir em criptomoedas, é fundamental estar atento às notícias do mercado financeiro, como a possível mudança no comando da Apple, com Tim Cook planejando sua saída em 2025. Outro ponto de atenção é o cenário de cibersegurança, com alertas sobre ataques de malware, como o Lumma Stealer, que afeta navegadores como o Chrome.

Além disso, é importante diversificar os investimentos e considerar outras opções, como ações de empresas que estão se destacando no mercado, como a Cosan, que anunciou a entrada de André Esteves no Conselho após a parceria com o BTG Pactual. Para quem busca alternativas no setor de tecnologia, vale acompanhar os lançamentos da Xiaomi e suas atualizações de sistema, como o HyperOS 3.1.

Perguntas Frequentes sobre Queda do Bitcoin

Por que o Bitcoin caiu tanto nas últimas semanas?

A queda do Bitcoin foi influenciada por uma combinação de fatores, incluindo realização de lucros, incertezas macroeconômicas, liquidação de posições alavancadas e mudanças nas expectativas sobre a redução de juros nos EUA.

Como o halving afeta o preço do Bitcoin?

O halving, que ocorre a cada quatro anos, reduz a recompensa dos mineradores e historicamente leva a um ciclo de alta seguido por uma correção no preço do Bitcoin.

Qual o impacto da queda do Bitcoin nas empresas ligadas à criptomoeda?

A queda do Bitcoin afeta negativamente as ações de empresas que investem em Bitcoin, como a Strategy e a OranjeBTC, demonstrando a interdependência entre o mercado de criptomoedas e essas empresas.

Via Brazil Journal

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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