A Vale captou US$ 750 milhões ao emitir um bond híbrido, combinando características de dívida e equity, com um yield de 6,12%. A operação financeira tem como objetivo substituir um débito antigo da empresa, as debêntures participativas emitidas na época da privatização. Mas, como essa emissão impacta a alavancagem da companhia?
Por que a Vale optou por um bond híbrido?
A escolha por um título híbrido faz parte da estratégia do CFO da Vale, Marcelo Bacci, que busca manter a alavancagem da empresa estável, em torno de 1,1 vez o Ebitda. Esse cálculo considera a dívida líquida expandida, que inclui os pagamentos relacionados aos desastres de Brumadinho e Mariana.
A estrutura do bond permite que as agências de rating considerem apenas metade do valor como dívida, enquanto a outra metade é vista como equity. Esse tipo de título possui características específicas, como subordinação, vencimento alongado e cláusulas de step ups de cupom ao longo do tempo. Além disso, permite o adiamento do pagamento do cupom se a Vale julgar necessário, sem gerar um cross-default.
Quais são as características específicas desse tipo de bond?
Os bonds híbridos, por apresentarem um risco maior, geralmente são emitidos com um prêmio em relação aos senior bonds. Em 2024, o prêmio médio nas emissões de bonds híbridos foi de 149 basis points.
No caso da Vale, o prêmio foi inferior à média do mercado, ficando em 137 bps, com o senior bond da Vale negociando a um yield de 4,75%, em comparação com os 6,12% do bond híbrido emitido. A Petrobras também realiza pagamentos de dividendos, como a primeira parcela de R$ 8,66 bilhões em novembro.
Qual foi a demanda pelos papéis da Vale?
A procura pelos papéis da Vale atingiu 3,8 vezes a oferta durante o initial price talk de 6,5%, somando US$ 3 bilhões. No entanto, essa demanda diminuiu para 3,5 vezes no preço final da emissão.
Os principais interessados foram fundos de crédito americanos, além de seguradoras e fundos de pensão, que demonstram maior apetite por esse tipo de título. Os bancos responsáveis pela coordenação da oferta foram Citi, Bank of America, HSBC e JP Morgan.
Como a Vale pretende usar os recursos captados?
Os US$ 750 milhões levantados serão destinados à substituição de uma dívida existente. A Vale planeja usar o montante para pré-pagar US$ 700 milhões em debêntures participativas. Estas debêntures foram emitidas na época da privatização da empresa e seu pagamento está atrelado à produção e vendas da companhia.
Essas debêntures totalizam US$ 3 bilhões, e a Vale já pagou antecipadamente 25% desse valor. A motivação para essa substituição é otimizar a estrutura de capital da empresa, sem aumentar seu nível de endividamento.
Via Brazil Journal






