O setor da construção civil em 2025 está enfrentando um cenário desafiador. Com a taxa Selic em patamares elevados, o crescimento esperado para o ano foi revisado para baixo, impactando financiamentos e o nível de atividade. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou dados que mostram um crescimento menor do que o previsto inicialmente.
Por que a projeção de crescimento da construção civil foi revisada?
A projeção de crescimento para o setor da construção civil em 2025 foi revisada de 2,3% para 1,3% pela CBIC. Essa revisão reflete o impacto direto das altas taxas de juros, especialmente a taxa Selic, que está atualmente em 15%. Esses juros mais altos dificultam o acesso ao crédito, tanto para as empresas do setor quanto para os consumidores que desejam financiar imóveis.
Segundo Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, os juros elevados têm sido um fator limitante para o crescimento do setor. A dificuldade em obter crédito afeta diretamente a capacidade de investir em novos projetos e a disposição dos consumidores em adquirir imóveis.
Como o PIB da construção civil se comportou em 2025?
O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil apresentou um recuo de 0,6% no primeiro trimestre e de 0,2% no segundo trimestre de 2025, quando comparado com os trimestres imediatamente anteriores. Apesar desse desempenho negativo em relação aos trimestres anteriores, houve um crescimento de 1,8% no segundo trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Apesar desse crescimento ano a ano, a trajetória tem sido de desaceleração. No primeiro trimestre de 2025, o crescimento havia sido de 3,4%, e no quarto trimestre de 2024, de 4,3%. A CBIC destaca que, embora o setor esteja operando 23% acima do nível registrado antes da pandemia, no final de 2019, o dinamismo tem diminuído.
Qual o impacto da queda no financiamento com recursos da poupança?
Houve uma queda significativa no financiamento de unidades habitacionais com recursos da poupança. De janeiro a agosto de 2025, o número de unidades financiadas caiu 20,32% em comparação com o mesmo período de 2024. Em números absolutos, foram financiadas 283.360 unidades em 2025, contra 355.621 em 2024.
Em termos de valores, a queda também foi expressiva, atingindo 18%. O montante financiado entre janeiro e agosto de 2025 foi de R$ 97,1 milhões, enquanto no mesmo período de 2024, o valor alcançou R$ 118,4 milhões. Essa retração no financiamento imobiliário impacta diretamente a capacidade do setor de construir e vender novos imóveis. Uma das alternativas para aquisição de imóvel é o consórcio, modalidade que pode ser uma boa opção para quem busca planejamento financeiro, como foi mostrado em uma matéria sobre Big Data no varejo.
O que esperar para o futuro da construção civil?
Apesar dos desafios atuais, existem perspectivas de melhora para o setor da construção civil em 2026. Mudanças nas regras de financiamento imobiliário com recursos da poupança devem injetar cerca de R$ 37 bilhões no crédito habitacional no próximo ano, o que pode impulsionar a atividade do setor. Além disso, a expectativa de queda na taxa Selic pode reduzir os juros dos financiamentos, tornando-os mais acessíveis aos consumidores.
Outro fator positivo é a possibilidade de um acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos em relação às tarifas de importação. Embora o impacto seja indireto, esse acordo pode fortalecer a indústria e a economia em geral, beneficiando também o setor da construção civil. Além disso, empresas do setor como a Brasil Terrenos seguem em expansão.
Perguntas Frequentes sobre Construção Civil em 2025
Por que a CBIC reduziu a projeção de crescimento para a construção civil em 2025?
A CBIC revisou a projeção de crescimento devido ao impacto negativo das altas taxas de juros, especialmente a Selic, que limitam o acesso ao crédito para empresas e consumidores.
Como o PIB da construção civil se comportou nos primeiros trimestres de 2025?
O PIB da construção civil teve recuo nos dois primeiros trimestres de 2025 em comparação com os trimestres anteriores, mas apresentou crescimento quando comparado ao mesmo período do ano anterior.
Via InfoMoney






