A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos pode ter um novo capítulo em breve. O possível uso da taxa de importação sobre o etanol americano como moeda de troca para a diminuição ou eliminação de tarifas tem gerado discussões e preocupações no setor sucroenergético brasileiro. Essa movimentação ocorre em um momento de pressão dos produtores de milho americanos e pode trazer impactos significativos para o mercado de biocombustíveis.
Por que o etanol se tornou um ponto central na disputa comercial entre Brasil e EUA?
O etanol ganhou destaque nas relações comerciais entre os dois países devido a uma disputa tarifária. Desde fevereiro, o governo americano tem expressado seu descontentamento com o que considera uma “injustiça” nas tarifas. Atualmente, o etanol brasileiro paga uma taxa de 2,5% para entrar nos Estados Unidos, enquanto o produto americano enfrenta uma alíquota de 18% ao ser importado pelo Brasil.
Essa diferença tem gerado pressão por parte dos produtores de milho dos EUA, que enfrentam dificuldades para escoar sua safra, especialmente devido à diminuição das compras por parte da China. A situação se agrava com a guerra comercial entre China e EUA, que fez com que a Rússia se tornasse o principal fornecedor de milho para o país asiático.
Quais seriam os benefícios para os EUA se a tarifa de importação fosse reduzida?
Uma possível redução na tarifa de importação abriria um canal de exportação imediato para o Brasil. Esse cenário é ainda mais interessante para os EUA, já que o Congresso americano discute a possibilidade de ampliar a mistura de etanol na gasolina de 10% (E10) para 15% (E15) durante todo o ano. Essa medida aumentaria a demanda interna e, com a facilidade de acesso ao mercado brasileiro, o excedente de etanol dos Estados Unidos encontraria um destino certo.
Mesmo com a tarifa de 18%, estima-se que os Estados Unidos exportem 650 milhões de litros de etanol para o Brasil na safra 2025/26, um crescimento de 160% em relação à safra anterior, de acordo com dados da consultoria Datagro. A elevação da mistura obrigatória na gasolina brasileira de 25% para 30% desde agosto e a quebra na produção de etanol de cana também contribuem para esse aumento.
Como a isenção da tarifa impactaria o mercado brasileiro de etanol?
Caso a tarifa de importação fosse zerada, o etanol americano ganharia uma vantagem imediata no Nordeste, região que possui um déficit estrutural de oferta. O produto importado poderia chegar até 15% mais barato que o nacional, com uma logística facilitada pela proximidade com Houston. Esse movimento diminuiria a necessidade de transferências de etanol do Centro-Sul para o Norte e Nordeste, hoje estimadas em 1 bilhão de litros por ano, exercendo pressão sobre os preços em todo o país.
No entanto, as empresas brasileiras do setor sucroenergético argumentam que uma redução abrupta da tarifa colocaria o etanol americano em vantagem competitiva, uma vez que os EUA subsidiam o milho e, consequentemente, o etanol de milho, o que distorceria a concorrência. Para entender mais sobre o mercado de energia, confira esta análise da XP sobre ações do setor elétrico.
Quais são os próximos passos nessa negociação?
Após a visita do chanceler Mauro Vieira ao secretário de Estado americano Marco Rubio, ainda não há detalhes sobre os próximos passos. No entanto, a discussão sobre a tarifa de importação do etanol certamente estará na mesa de negociações. O governo brasileiro precisará avaliar os impactos de uma possível concessão, considerando os interesses do setor sucroenergético e os benefícios de uma relação comercial mais equilibrada com os Estados Unidos.
Enquanto isso, o setor sucroenergético brasileiro acompanha de perto as movimentações e busca alternativas para se manter competitivo no mercado interno e externo. A automação financeira pode ser uma dessas alternativas, já que, segundo estudos, ela aumenta o lucro e melhora a previsibilidade em PMEs brasileiras.
Perguntas Frequentes sobre Tarifa de importação
Por que a tarifa de importação de etanol é um ponto de discórdia entre Brasil e EUA?
A tarifa de importação de etanol é um ponto de discórdia porque os EUA consideram injusto que o Brasil cobre uma alíquota de 18% sobre o etanol americano, enquanto o Brasil paga apenas 2,5% para exportar etanol para os EUA. Essa diferença é vista como uma barreira comercial que prejudica os produtores americanos.
Como a possível redução da tarifa de importação de etanol afetaria o Brasil?
A redução da tarifa de importação de etanol poderia impactar o mercado brasileiro de diversas formas. O etanol americano se tornaria mais competitivo, especialmente no Nordeste, o que poderia reduzir a necessidade de transferências de etanol do Centro-Sul para o Norte e Nordeste. No entanto, a medida também poderia prejudicar os produtores brasileiros, que alegam que o etanol americano é subsidiado, o que distorceria a concorrência.
Via InfoMoney






