A Importância da Inteligência Artificial na Preservação das Línguas Indígenas Brasileiras

25/12/2023 às 15:11 | Atualizado há 6 meses
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A riqueza cultural do Brasil é amplamente influenciada pelos povos indígenas, que habitam essas terras muito antes da chegada dos portugueses em 1500. No entanto, ao longo dos séculos, essas culturas e idiomas foram sendo afetados por mudanças culturais, resultando na perda de mais de dois terços das línguas indígenas e no enfraquecimento de muitas outras.

Para reverter esse cenário e preservar a diversidade linguística brasileira, um projeto inovador desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Centro de Inteligência Artificial (C4AI) e a IBM Research, está utilizando a Inteligência Artificial (IA) para documentar, preservar e revitalizar as línguas indígenas no país. Projeto semelhante a outro onde a IA está sendo usada para preservar a literatura brasileira.

O Projeto da USP e a Parceria com a IBM Research

O projeto pioneiro da USP tem como objetivo desenvolver ferramentas de IA que auxiliem na preservação e uso das línguas indígenas brasileiras. A parceria com o C4AI e a IBM Research possibilita a aplicação das mais avançadas tecnologias de processamento de linguagem natural (PLN) para construir sistemas de conversão de fala para texto, tradução, expansão de vocabulário e análise linguística. Essas ferramentas serão essenciais para fortalecer as línguas indígenas que estão em processo de desaparecimento e aumentar o número de jovens que falam e escrevem esses idiomas.

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As Frentes de Atuação do Projeto

O projeto da USP e seus parceiros atuam em duas frentes principais. A primeira é a vitalização das línguas indígenas, ou seja, o aumento do número de jovens fluentes nesses idiomas. A segunda frente é o fortalecimento das línguas indígenas que já estão ameaçadas, por meio da documentação e registro desses idiomas para garantir sua preservação. Para alcançar esses objetivos, a equipe do projeto trabalha em estreita colaboração com as comunidades indígenas e especialistas no assunto.

O Papel da IA na Preservação das Línguas Indígenas

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A IA desempenha um papel fundamental na preservação das línguas indígenas brasileiras. Através do uso de tecnologias de PLN, é possível desenvolver ferramentas específicas para cada língua, como dicionários digitais, análise fonética e sistemas de transcrição fonética. Além disso, a IA pode auxiliar no ensino e aprendizado dessas línguas, por meio de chatbots e programas educacionais adaptados às necessidades das comunidades indígenas. Essas tecnologias possibilitam a revitalização das línguas indígenas e a transmissão de conhecimento para as gerações futuras.

Demandas das Comunidades Indígenas e Desafios Enfrentados

As demandas de fortalecimento das línguas indígenas partem das próprias comunidades, que estão preocupadas com o desaparecimento desses idiomas e a perda de parte essencial de sua cultura. Atualmente, não existem tradutores de línguas indígenas para o português brasileiro, o que torna a preservação desses idiomas ainda mais desafiadora. Além disso, a tecnologia existente muitas vezes não atende às necessidades específicas das comunidades indígenas, o que requer uma adaptação e desenvolvimento conjunto das ferramentas de IA.

Parcerias com Escolas Indígenas

O projeto da USP estabeleceu uma parceria com escolas da Terra Indígena Tenonde Porã, localizada no sul da cidade de São Paulo. Essa parceria visa auxiliar as crianças e jovens da comunidade a desenvolverem suas habilidades na escrita das línguas indígenas, em especial o guarani mbya. Por meio de oficinas e atividades conjuntas com estudantes e professores, as ferramentas de IA são exploradas e desenvolvidas de forma experimental, buscando fortalecer as línguas indígenas e garantir a continuidade cultural dessas comunidades.

Viabilizando a Produção de Conhecimento Indígena

Além da preservação das línguas indígenas, o projeto também tem como objetivo viabilizar a produção de conhecimento por parte das próprias comunidades. Através do contato com as tecnologias de IA, os indígenas podem aprender e ensinar sobre informática, programação, IA e linguística, entre outras áreas de interesse. Dessa forma, as comunidades indígenas têm a oportunidade de se desenvolverem de forma autônoma e contribuir para a vitalidade de suas línguas e culturas.

Impacto da Invasão Territorial e Transformação Digital

As línguas indígenas enfrentam diversas ameaças, como a invasão territorial, a disseminação de doenças e a destruição de ecossistemas. Além disso, a imposição de línguas europeias, a educação não diferenciada e a intensificação das relações com o mundo não indígena também impactam diretamente a preservação desses idiomas. Com a transformação digital e o uso cada vez mais frequente da internet, celulares, jogos online e mídias sociais, muitos indígenas, especialmente crianças e jovens, estão deixando de falar e conhecer suas línguas originárias no cotidiano. A IA surge como uma aliada nesse contexto, auxiliando na preservação e continuidade das línguas indígenas diante dos desafios impostos pela era digital.

Equipe e Parcerias do Projeto

A equipe do projeto é formada por pesquisadores, professores, alunos bolsistas, profissionais técnicos e estagiários, totalizando cerca de 20 pessoas. Além disso, o projeto conta com o apoio de bolsistas de pós-doutorado, graduação e auxílio técnico, financiados por uma parceria entre o C4AI e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A IBM Research também participa ativamente, contribuindo com engenheiros de software, doutorandos e estagiários de graduação. O projeto está aberto a novas parcerias e demandas, visando ampliar a atuação e o impacto dessa iniciativa.

Conclusão

A utilização da Inteligência Artificial na preservação das línguas indígenas brasileiras é um importante passo para garantir a continuidade desses idiomas e a valorização das culturas indígenas. O projeto desenvolvido pela USP, em parceria com o C4AI e a IBM Research, busca adaptar as tecnologias de IA às necessidades das comunidades indígenas, fortalecendo as línguas em processo de desaparecimento e auxiliando no ensino e aprendizado desses idiomas. Com a colaboração das comunidades e o uso responsável das ferramentas de IA, é possível preservar a diversidade linguística do Brasil e promover o respeito e valorização das culturas indígenas.

Apaixonado por tecnologia desde cedo, André Luiz é formado em Eletrônica, mas dedicou os últimos 15 anos a explorar as últimas tendências e inovações em tecnologia. Se tornou um jornalista especialista em smartphones, computadores e no mundo das criptomoedas, já compartilhou seus conhecimentos e insights em vários portais de tecnologia no Brasil e no mundo.
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